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Nascida Para Ser Rainha

​Intuição feminina é uma parada bizarra… quando a pessoa é altamente sensível, é pior ainda… a gente fareja as coisas no ar antes delas acontecerem, e a parte mais incrível, é que as coisas acontecem exatamente do jeitinho que a gente anteviu… agora, só tem uma coisa nisso tudo que é uma merda: o fato de você conseguir perceber as coisas antes que elas aconteçam não traz junto um manual pra você se prevenir e parar o trem dos acontecimentos antes que ele colida e te deixe em frangalhos. Nessas horas é que os verdadeiros amigos são fundamentais, seja para te ajudar a puxar o freio e minimizar os danos, seja para catar os caquinhos que sobrarem depois da colisão…

De um jeito ou de outro, por mais inevitável que seja a dor, ela passa. Ela SEMPRE PASSA! 

Chorar faz parte. Se entristecer faz parte. E só não chora e não se entristece aquele que é incapaz de experimentar a vida em sua plenitude. 

Um equívoco aqui, um tombo ali, um corte que dilacera acolá… Um papel de boba, um chapéu de tolo… Infelizmente, esse é um efeito colateral para aqueles que ousam tentar exercer sua natureza gentil e solícita… Paciência… isso também faz parte…

Dói… mas ninguém nunca disse que a vida é fácil. Ninguém nunca disse que a vida é feita de felizes para sempre. Isso não existe… a felicidade é você quem constrói quando, em meio às lágrimas, você ainda consegue enxergar o que a vida tem de bom. A felicidade você percebe que tem, quando mesmo que tudo não tenha acontecido como você gostaria que fosse, você ainda tem forças para se levantar e tentar outra vez… e outra… e outra… porque a vida não pára, e nem você se permite ficar prostrado por muito tempo.

Chora. Chora sim! Chora tudo o que tiver que chorar. Lava tua alma de dentro pra fora até extinguir a dor que te esmaga o coração. 

Depois levanta, lava seu rosto, sacode a poeira e ajeita sua coroa, porque quem nasce para rainha, nunca perde a majestade e você, querida…

Você nasceu pra ser RAINHA!

​Não Venha

Se a minha companhia não for o bastante pra você, não venha.

Se o meu riso e o meu olhar não te encantam, não venha. 

Se o meu jeito atrapalhado, tempestuoso, mas gentil de lidar com as minhas emoções não te confirmam o motivo de eu ser artista, não venha.

Se o meu coração puro e sincero, apesar de todas as dores e espinhos, não for bonito aos seus olhos, não venha.

Se não estiver disposto a varrer a solidão que mata pra longe, e trazer a companhia que cura e restaura, não venha.

Não venha, se não tiver a intenção de ficar.

Mas…

Se o seu coração está comigo, porque este é o seu desejo:

Pode entrar, a porta está aberta.
Clara Borges de Medeiros, 

Rio de Janeiro, 24 de Agosto de 2017.


Cenas do Cotidiano IV – Um Oásis na Selva de Pedra 

​Da série #CenasDoCotidiano:
Um Oásis na Selva de Pedra
O dia estava sendo cansativo, carregar o violoncelo desde cedo, pegar motoristas mal humorados que a deixaram três quadras adiante do seu ponto, retornar todo o trecho a pé, terminar o almoço correndo, “voar” para um ensaio deveras frustrante, por não ter fluído como desejava eram motivos suficientes para deixá-la a soltar fogo pelas ventas! Mas curiosamente seu humor ainda estava em ordem. 
Após o ensaio ainda enfrentaria mais quatro horas de aula, das 18h às 22h em um local relativamente distante do seu itinerário habitual. Já estava em cima da hora, mas ainda dava tempo de passar naquela já famosa carrocinha, e já não sabia mais se ia pela comida ou pelo vendedor de olhar penetrante. De qualquer modo, seria interessante levar duas caixinhas dos quitutes sírios para dividir com o professor e os colegas, pois a aula seria longa afinal.
Cansada e esbaforida, pra variar, ela tentou examinar os conteúdos das caixinhas expostas, e se esqueceu que estava com a “cabeça mais alta, e atrapalhou-se com a voluta do cello no toldo da barraca.
-Alehkum el salam! – Saudou-lhe Ali em sua lingua materna.
Atordoada pelo cansaço e pelo constrangimento de ter-se atrapalhando, ela olhou-o sem entender coisa alguma.
-Oi! Como você está? – Disse, agora em bom português, o charmoso invasor. 
-Cansada… – Respondeu ainda esbaforida pela pressa de conseguir chegar a tempo na aula.
-Cansada? – Sorriu-lhe gentilmente, enquanto apresentava os sabores dos salgados como de costume. 
-Hoje só levarei as caixinhas, quero duas por favor. Esta é de que?
-Qual? – Aproxima-se para ver melhor a qual das caixas a moça se referia. – Ah, essa? Quibe de carne assada. 
-Hoje eu vou sair mais cedo. – Continuou Ali – Vou mais cedo para casa.
-Até que horas você costuma ficar?
-Gosto de ficar aqui até umas 20h, mas hoje vou mais cedo. (O sotaque ensaiou aparecer enquanto dizia isso) Muita gente me conhece aqui.
Ela esboça um sorriso amarelado:

-Ahn…
-Sexta não estarei aqui, vou viajar para… – falou tão baixinho que ela mal conseguiu ouvir o final da frase…
-Viajar? Pra casa?! – Retrucou ela sem entender.
-Não! –  Riu-se o vendedor da distração da moça. – Vou a SP por causa de um documento, mas é coisa de um dia, logo estarei de volta.
Ela abriu um sorriso e disse apenas:

-Que bom! 
A fantasia:

-Ainda bem que não vai dar tempo de sentir saudades 
A razão indignada:

-De onde você tirou essa ideia?!
Ali volta com o troco:

-Aqui está. 
E com o olhar ainda mais perscrutinador, cujo castanho agora revelava alguns tons esverdeados na luminosidade do entardecer de outono, despediu-se:

-Deus te abençoe.
Ela sorriu sem jeito, agradeceu e desapareceu nas escadas do metrô. 

Já no ônibus, o pensamento divagava, remoendo a cena enquanto observava o movimento sincronizado do VLT, tendo ao findo fundo o Pão de Açúcar iluminado pelo pôr do sol. Dialogava consigo:
-Você sabe que todo o encanto vai se quebrar no dia em que decidir conhecer a pessoa por trás desse personagem que você construiu, não sabe?…
-Sim… eu sei… Sei bem que toda essa euforia de coisa nova se deve tão somente ao torpor de inspiração fresca e que, cedo ou tarde, essa história terá um fim.
-Mas… e se não tiver? E se o fim for uma continuação? Estará disposta a assumir os riscos e enfrentar as consequências? Conseguiria lidar com as diferenças? 
Ao ponderar essas indagações, sente um calafrio gelar-lhe a espinha por uma hipótese jamais cogitada antes e terrivelmente ameaçadora às suas convicções. 
-Só Deus sabe…

Cenas do Cotidiano III – Biscoito de Gergelim – Final + Bônus 

​Da série #CenasDoCotidiano:
Biscoito de Gergelim – Final + Bônus
Pacientemente Ali abre a embalagem, enquanto comenta sobre como o biscoito é saboroso e ele mesmo come uma caixa inteira sozinho em casa. Uma vez aberta, ele estende a caixa para que você mesma tire um para experimentar. 
Ao sentir o sabor suave e o doce na medida certa, você que não queria gastar sua última nota se rende e pede a caixa para viagem. Você termina de comer o biscoito ali mesmo, e quando termina despede-se chamando o vendedor pelo nome.
Bônus – Figuras da Carioca
Ao sair da carrocinha, pensando em como vai registrar o ocorrido em uma nova crônica, você segue caminhando lentamente percurso costumeiro, e percebe uma outra personagem que recentemente marcou o seu dia: A guitarrista com voz aveludada!
Sabendo que, sentada naquele banquinho, a artista vai tecer música de qualidade, desta vez você não passa direto, você se assenta no banco logo em frente, acomoda seu instrumento grandalhão no colo e aguarda enquanto ela termina de montar o equipamento. 
Enquanto processa os acontecimentos anteriores, você aprecia a música e o coração se enche de paz. Aproveitando um intervalo, você se aproxima e se despede dela, uma vez que já trocaram algumas palavras no primeiro impacto. 
A curiosidade fala mais alto e você bisbilhota a pasta da moça e pergunta se valeria a pena fazer um som juntas. Você tira o cello do case e tenta acompanhar uma musica que nunca viu na vida. O som flui, e a gorjeta aumenta e de quebra você ainda leva um troquinho pra casa!
Após a canja, você retoma o seu rumo e volta pra casa com um sorriso bobo no rosto e cara de maluca pelo meio da rua, e uma certeza no coração:
A vida é maravilhosa com essas pequenas belezas do dia a dia!
#ObrigadaPai!

Cenas do Cotidiano II – Biscoito de Gergelim 

​Da série #CenasDoCotidiano:
Biscoito de Gergelim
Você sai da aula de cello, onde seu paifessor lhe arrancou o couro por ter sido descuidada ao estudar… lembra da crônica postada no dia anterior e pondera se vale a pena tentar colher mais material para uma nova crônica ou se sossega na escola e estuda mais um pouco até a hora de ir embora.
A gulodice:

-Você vai ter uma longa viagem pela frente, melhor comer algo antes de ir.
Você:

-Mas eu almocei duas vezes hoje! Com direito a um ronco na casa da madrinha! 
A gulodice:

-Mas quanto tempo faz desde a última refeição? Hein?
Você:

-É… até que faz um tempinho já…
A gulodice:

-E você tem uma looonga viagem pelae frente.
Você:

-Verdade…
Cedendo aos apelos da gulodice, você pára outra vez na carrocinha de comida árabe… Desta vez você não é  mais recebida só com os olhos grandes e expressivos, agora o olhar vem acompanhado de um sorriso largo e brilhante:
O vendedor:

-Oi!
Você (corando como se nunca tivesse comprado um salgado na vida!):

-Er… oi…
O vendedor:

-A esfiha de carne acabou, mas tem ainda quibe.
Você:

-Tem da de beringela? 
O vendedor:

-A de beringela acabou rápido hoje…
Você pergunta quais as que ainda têm.
O vendedor (com o mesmo falar manso, paciente e ponderado):

-A de frango está muito boa, eu comi hoje com molho de alho. Muito boa!
Você decide então aceitar a sugestão. Enquanto come silenciosamente e observa a carrocinha ser cercada de clientes. Escondida na lateral para os transeuntes não te arrastarem pelo violoncelo, você estuda cada detalhe e analisa cada gesto: O bom atendimento é um padrão, e a limpeza também, você conclui ao vê-lo abaixar-se e recolher a embalagem de um canudo que um senhor deixou cair.
Percebe também que você não é a única curiosa pelo charmoso invasor.   Em poucos minutos ele é cercado de mulheres apreciadoras de seus quitutes. E você continua escondida,  comendo silenciosamente.
Ele sutilmente se aproxima e avisa que o seu troco está em cima da bancada. 
A esfiha acaba, mas ainda tem metade da bebida no copo:

-Me vê a de espinafre, por favor?
Você continua no cantinho, silenciosa, acreditando piamente que vai conseguir se esconder com um violoncelo nas costas. 
A curiosidade:

-Pergunta pelo menos o nome, né, criatura?!?!
Você (já caçando um buraco pra se esconder)

-Tenho mesmo?
A curiosidade:

-Anda! Não custa nada!
Você  (corando até a alma!)

-Er… qual o seu nome?
O vendedor, apontando para os telefones da carrocinha, responde:

-Ali
Você termina de comer e procura uma lixeira mais vazia, e ao descartar o lixo na que já estava cheia, ele surge de mansinho ao seu lado e diz:

-Havia duas atrás de você. 
Você dá uma risada meio desconcertada, e olha para as caixinhas. Nesse momento, Ali chega mais perto e você sente o sangue subir e a perna dar uma bambeada, não sabe se fica ou se sai correndo, o rosto mais vermelho que tomate cereja (ainda bem que já é noite!). Ali puxa assunto:
-Então você faz música?
Corando como se nunca tivesse visto o vendedor antes:

-Sim!
-Sabe onde posso comprar um órgão? 
-Um piano?
-Não, um órgão. 
-Ah sim! Um órgão/teclado. Bom… na rua da Carioca tem diversas lojas. 
-Sim, na Carioca eu sei que tem, mas você conhece outro lugar?
-Eu poderia sondar com alguns colegas na Internet talvez.. 
A vontade de se esconder cresce, e você volta a estudar as caixinhas… Ali aponta as de esfiha, mas você realmente está curiosa pelo conteúdo diferente:
Ali:

-Biscoito de Gergelim. Você gosta? Conhece?
-Não…
Ali:

-Quer experimentar? 
Meneando a cabeça:

-Hmhum… pode ser…
(Interrompe a história porque está chegando em casa)
-Continua-

Cenas do Cotidiano I – A Curiosidade Matou a Gata

​Da série #CenasDoCotidiano:
A fome aperta, você está com a grana tão curta que mal dá pra um podrão, você precisa separar o da passagem e decide caçar o lugar mais barato que o mais barato pra comer, então avista uma carrocinha jeitosinha de comida árabe:
Fome:

-Essa daí até que está jeitosinha…
Você:

-Você já comprou uma dessas caixinhas de quibe uma vez e não gostou, lembra?
Fome:

-Mas essa tá com uma cara melhor do que esses salgados intragáveis que você pretende comer.
Você com ar pensativo: 

-Está mesmo… Ok… vamos ver qual é a dessa carrocinha.
Chega na carrocinha e percebe que não só os salgados parecem apetitosos, como também cheiram bem e parecem fresquinhos. O vendedor vira e você se depara com uma criatura de olhos castanhos, grandes e expressivos, uma pestana maior que a sua, fala mansa e ponderada, e um português quase impecável. 
Você pergunta naturalmente sobre a promoção e os sabores dos salgados e observa outras opções para levar e comer mais tarde. 
Enquanto você come chega uma outra cliente, e você, como quem não quer nada, tenta saber a origem e a procedência do vendedor (oups!), digo, da mercadoria. 
A outra, como para se mostrar mais simpática insiste que ele tem que vender em um Shopping da Z.Sul, e você só quer saber de onde esse invasor veio:
-Síria.
-Ahn… (um certo ar de desapontamento passa pela cabeça)
Os olhos:

-É gatinho!
A convicção:

-Lembra da agenda!
Os olhos:

-Mas é gatinho! 
A convicção:

-Não se deixe enganar!
Os olhos:

-Mas tadinho! Tá fugindo da guerra! E é gatinho!
A convicção:

-Esses são os piores!
A vaidade:

-Acho que ele gostou de você, hein!
Os olhos:

-Ele é beeeeeeeeeeeemmmm gatinho! 
O coração:

-Ai, ai… é gatinho mesmo! 
O cérebro:

-Bora parar com essa palhaçada aí que eu tenho mais o que fazer!
E foi assim que por um momento eu quase me esqueci que o islã é a religião das pás!
Ps: O quibe de ricota está simplesmente DIVINO! 
😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁😁

O Espinho da Rosa

Saint-Exupéry descreve de forma poética os conflitos gerados nos relacionamentos por causa dos caprichos femininos. É bastante comum ns queixarmos apenas dos comportamentos masculinos que nos ferem e nos marcam, por vezes, para toda a vida. Mas e quanto a nós? Será que somos sempre as donzelas inocentes que nunca erramos nos nossos relacionamentos? 

No livro O Pequeno Príncipe vemos um jovem rapaz que vivia sozinho em seu mundinho, até que, trazida pelo vento, a semente de uma rosa significou o surgimento de algo que transformaria completamente a sua vida. Deslumbrado com a beleza da flor que agora encantava o seu pequeno universo, o Pequeno Príncipe não mede esforços para tentar agradar sua amada rosa, que parece nunca se contentar. Então um dia, frustrado com tantas queixas da rosa, ele decide partir.

O comportamento feminino, na prática, de um modo geral não difere muito do comportamento caprichoso e insolente da rosa. Por mais que sejamos conscientes e saibamos valorizar os esforços daqueles que nos amam e a quem amamos, cedo ou tarde encontramos motivos para nos queixarmos de algo. Não que sejam injustas as nossas queixas, na grande maioria das vezes temos bons motivos para expressar algo que nos incomoda, contudo, quantas vezes ponderamos como o nosso companheiro se sente?

E quando finalmente nos damos conta, é tarde demais e já não há mais como reparar os estragos… Nos momentos de raiva deixamos escapar verdades que talvez pudessem ser ditas de outra maneira. Quando nos sentimos feridas, tomamos atividades que nem sempre podemos prever a dimensão do impacto no coração dos homens e assim, por causa dos nossos caprichos, matamos e morremos um pouco por amor.

Ninguém é obrigado a concordar com o que eu digo aqui, mas por observar, ouvir e dar as minhas próprias cabeçadas, é fácil perceber que homens e mulheres, AMBOS, são igualmente responsáveis por tantos relacionamentos mal sucedidos. Enquanto as duas partes olharem somente para si, não haverá chance para que amores duradouros vinguem e cresçam fortes.

Cavalheiros, não tomem este texto para justificar falta de atenção, cuidado e carinho, e indiferença para com as mulheres. Lembrem-se que o personagem sentiu-se injustiçado justamente por não medir esforços pela sua amada, por quem sempre fazia questão de demonstrar sua admiração e afeto devotos. Mas cuidado também para não penderem para o outro extremo: a bajula excessiva. Qualquer dos extremos farão com que se espetem nos espinhos das rosas.

Minhas queridas rosas… Tentemos não usar nossos espinhos contra aqueles que nos amam! Não podemos nos livrar dos espinhos, pois são a nossa única arma de defesa, mas não precisamos afiá-los contra quem cuida de nós com carinho. 

Se bem que… só se fere no espinho da rosa quem não tem cuidado ao se aproximar. 

Música Pra Quem?

Ultimamente tenho feito um comparativo entre as vertentes políticas de esquerda e direita e, acabei chegando à conclusão de que, apesar de defender os mesmos valores morais que a direita defende, não consegui encontrar meu lugar entre eles. Já a ideologia esquerdista é um veneno para a sociedade, uma vez que ela distorce completamente valores e comportamentos que permitiram com que a humanidade sobrevivesse até aqui, e tenta quebrar limites que são necessários para a segurança e integridade física, emocional/psicológica e espiritual do ser humano.

Onde a música entra nisto?

As artes, de um modo geral, e principalmente a música, são uma ferramenta essencial para a manutenção desse equilibrio. E aqui nos deparamos com uma bifurcação no comportamento sócio-político com relação às artes: Ciente do seu potencial persuasivo dado ao seu discurso emocional e impacto afetivo, e de sua capacidade de alcance nos processos cerebrais mais profundos, a esquerda muito habilmente se mune da arte a fim de disseminar suas filosofias ideologicas, enquanto a direita se apega a um conservadorismo nostálgico engessado à moda dos “grandes intérpretes”, e se esquece de que a música é viva, e que, por mais que ao longo de sua História houvessem grandes gênios, isso não significa que a música ficou congelada no tempo e que já não hajam mais artistas igualmente geniais a seu modo.

Fiquei fascinada ao ouvir uma entrevista com Rubinstein, em que ele dizia que a genialidade do artista está em ser único. Ser um universo tão completo em si, de modo que qualquer pessoa, por mais leiga que seja, seja capaz de reconhecer sua assinatura em sua obra.

Precisamos valorizar também os artistas do nosso tempo.

Não é porque a mídia nos vende música de baixa qualidade, e muitas vezes qualquer outro tipo de mateiral que passa bem longe de merecer o nome de música, que devemos descartar a nossa geração de compositores e instrumentistas. Temos jovens compositores brilhantes, cujas obras já são condenadas ao obscurantismo sem ao menos terem a chance de ver as luzes da ribalta. Já perdi a conta de quantas orquestras vi desmancharem-se por não terem sequer o apoio de um espaço cedido para ensaiarem ou se apresentarem.

Falta de recurso?

Sinceramente, não acho que isso seja pretexto quando se tem garra, força de vontade e persistência para a realização de um bom trabalho. E digo isso no auge da minha frustração, considerando que, muitos dos que se intitulam amantes da arte, estão mais interessados em consolarem-se no conforto de suas salas de estar, com suas gravações dos grandes intérpretes e das grandes orquestras, reunidos com amigos em suas casas, enquanto nossas orquestras morrem à míngua, porque ninguém se importa, afinal, a arte é… como dizem mesmo?… “Supérflua”…

 

Clara Borges de Medeiros

Rio de Janeiro, 9 de Janeiro de 2017.

PS: Assim que terminei de escrever o esboço deste texto no meu caderno de anotações, li no Facebook a triste notícia de que mais uma orquestra brasileira conhecida encerrava suas atividades por falta de apoio.

Como artista, e como musicista, eu sei que precisamos de dinheiro para colocarmos comida em nossas mesas e pagarmos nossas contas. Mas o dinheiro não vai circular enquanto ficarmos dependendo do governo e não fizermos com que a sociedade compreenda que o nosso trabalho também é essencial para a economia. Ninguém vive sem Arte. Ninguém vive sem Cultura. Quando toda a estrutura que move as civilizações é consumida pelo tempo, o que permanece para contar sua História é justamente a Arte!

E pra quem gosta da chamada boa música:

Boa Música, não é só a música européia. Boa Música Brasileira não é só Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes, Chiquinha Gonzaga, ou outros considerados grandes nomes. Música Brasileira não é só Lundu, Choro e Samba…

Temos tantos jovens e promissores artistas, mas as portas quase sempre se fecham justamente porque não têm “padrinhos” e por isso AINDA não fazem parte do grupo “dos grandes”.

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2017

Primeiras horas de um novo ano que se inicia, e a única coisa que consigo sentir é GRATIDÃO. 

Gratidão pelo ano que passou, com suas lágrimas e seus sorrisos, gratidão pelas pessoas que me feriram e me fizeram crescer, gratidão pelas pessoas que amei, e que, por algum motivo escolheram não permanecer em minha vida… Sim. Por estas também sou grata, apesar das dores que sangraram meu coração. Porque elas me ensinaram o significado de amar INCONDICIONALMENTE.

2016 não foi um ano em que tudo saísse como eu planejei, ou sonhei que pudesse ser, mas nem por isso foi um ano ruim. Na verdade, foi um ano cheio de SURPRESAS. Um ano que me trouxe amigos maravilhosos, alguns tão atenciosos que sabem exatamente como deve ser o meu chocolate gelado quando tenho alguns contratempos com meu espelho interno.

Sou grata porque hoje, ao fazer esta retrospectiva, percebo que as dificuldades que enfrentei, que naqueles momentos pareciam não ter fim e serem maiores do que eu poderia suportar, na verdade foram apenas algumas nuvens que regaram o meu jardim para que as flores deste novo ano pudessem germinar.

E, neste novo ano, já sou grata pela paz e o sossego que reinaram em minha casa, com uma mesa abençoada e farta, com alegria e serenidade.

Que 2017 seja um ano em que os cuidados de Deus se manifestem de maneira tão patente na vida de cada um dos meus amigos e familiares, como Ele tem cuidado de mim e da minha família, e que a Sua Luz nos guie através e para além do caos das coisas que estão por vir, afinal, a paz não é a ausência de tempestades, e sim estar com o coração sereno enquanto o céu desaba ao nosso redor.

Que em 2017 a nossa Luz resplandeça em meio às tormentas e que, ao final de mais uma jornada, possamos olhar para trás e nos sentir plenamente felizes e gratos: Vencemos!

Que Deus abençoe a todos! Feliz 2017!

Clara Borges de Medeiros

Itaboraí, 1 de Janeiro de 2017.

Qual é a Verdade?

A arte é a ferramenta mais poderosa que existe. Que seja, então, usada para o bem.

Projeto Veritas

O meio artístico é caracterizado pela possibilidade de transformar a fantasia em realidade, e muitas vezes, algumas pessoas perdem a noção do que é real e do que não é.

O Projeto Veritas é um blog destinado a esclarecer fatos erroneamente publicados pela mídia, seja por equívocos causados pela falta de confirmação dos fatos, seja por puro mau caratismo e má fé.

Nossa missão é mostrar que é possível sim, fazer arte com integridade e sinceridade, sem prejudicar outras pessoas, ou ainda melhor, incentivar e promover o crescimento de outros artistas, fortalecendo o exercício do nosso ofício e valorizando a cultura.

Contamos com o apoio dos nossos leitores e amigos para levarem esta mensagem adiante, porque nesses tempos onde a mentira impera, precisamos ser porta-vozes da Verdade.

Saudações Artísticas!

Clara Borges de Medeiros

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Irrevogável

“Só há amor quando a escolha é irrevogável” – Antoine de Saint-Exupèry

Eu sempre soube que esta frase teria um impacto muito profundo na minha vida, e  finalmente chegou o momento de colocá-la em prática. Em tempos de amores fluídos, de poliamores e incontáveis opções de relacionamentos, fazer uma escolha e mantê-la é quase um ato heróico.

Tudo bem que, em se tratando de relacionamentos a dois, a escolha precisa ser, impreterivelmente, mútua. Caso contrário, sua irrevogabilidade torna-se nula. É preciso que duas pessoas que, teoricamente, se gostam, escolham permanecerem juntas, independente das diferenças, das intempéries emocionais de ambos, das dificuldades e de todos os conflitos que possam surgir.

Em uma era onde qualquer coisa se autodenomina amor, fica cada vez mais difícil identificar o amor verdadeiro. Eu diria até quase que impossível, porque cada pessoa que passa pela nossa vida nos faz experimentar uma sensação diferente, desperta em nós diferentes nuances de sentimentos e emoções. Conseguir identificar qual delas é verdadeira, qual delas será duradoura é uma tarefa hercúlea!

E é aqui que entra a irrevogabilidade…

Irrevogabilidade é um traço de imutabilidade, é não voltar atrás uma vez que se toma uma decisão. E eu sempre percebi o amor como uma decisão.

Em uma sociedade onde se pode encontrar alguém por meio de um click, estar de fato com alguém é uma raridade. Centenas de relacionamentos superficiais, pessoas que entram nas nossas vidas apenas de passagem… nada que perdure…

Inconstância…

A vida é feita de incertezas, isso é um fato, o que é agora pode deixar de ser daqui a cinco minutos, mas isso não quer dizer que os relacionamentos devam ser assim também… Ou, pelo menos, eu acho que não deveriam…

Estar com alguém implica em envolver-se profundamente no universo da pessoa. É desejar conhecer cada cantinho de sua alma, é desenvolver uma cumplicidade tão profunda que se possa compreender o outro pelo olhar. Amar é desejar cultivar um relacionamento e é preciso renovar essa vontade dia após dia. Amar é escolher diariamente permanecer com a mesma pessoa, e crescer junto com ela. E e o amor só será genuíno no momento em que, uma vez tomada esta decisão, não se possa voltar atrás.

Em  uma era com milhares de opções, fazer uma escolha pode se tornar uma tortura mental. Mas, uma vez feita, de coração aberto e alma limpa, ainda que as outras opções pareçam mais interessantes, quando há amor, a decisão tomada torna-se a melhor, ainda que seja imperfeita. Até porque, o amor só é irrevogável quando é manifesto incondicionalmente.

 

INCONDICIONALMENTE!

 

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Onde Começa a Mudança

Eu não sei vocês, mas me espanta, mesmo que eu esteja consciente que não deveria, mas ainda assim me espanta, a hipocrisia que permeia todas as instâncias da humanidade, do universo dos relacionamentos entre homens e mulheres, às lideranças governamentais (no caso, estas já não são novidade alguma).

Na micro realidade, essa que vivenciamos quase que automaticamente em nosso cotidiano, vemos homens e mulheres ansiando por relacionamentos duradouros sem, no entanto, estarem dispostos a empregarem os esforços, tempo e dedicação necessários para fazer com que um relacionamento dê certo. Querem somente “a parte boa”, sem cobranças. Se esquecem que todo relacionamento, seja ele de que nível for – familiares, amizade, trabalho, amorosos -, tem suas demandas, suas cobranças naturais, requerem um compromisso. Não adianta querer “a parte boa” de um relacionamento se não estiver disposto a encarar os momentos ruins, os conflitos, que deveriam servir como ferramenta de crescimento e fortalecimento das relações… Mas acontece que, para que o conflito seja mesmo uma ferramenta de crescimento, é preciso olhar, antes de tudo para dentro de si, estar bem ciente de seus pontos fortes e fracos e estar disposto a dar tudo de si para corrigir os pontos negativos, ou talvez, munir-se deles mesmos de maneira positiva, afinal, nossos defeitos podem não ser, necessariamente, uma coisa ruim. São parte da estrutura que nos torna quem somos, e justamente por ser parte de todo um conjunto de virtudes e falhas que fazem de nós únicos. Todas as coisas são como são para um bom propósito, mesmo que a compreensão deste propósito ainda não nos seja precisamente clara.

Quem tiver paciência para ler isto aqui deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra? O que as relações que ocorrem sob um mesmo teto têm a ver com a realidade política? Muito, meus senhores. MUITO! Porque é tudo uma cadeia. A atitude individual vai atingir a pessoa imediatamente próxima a nós, cujas atitudes vão se expandir para as demais pessoas que nos cercam e assim por diante. Como as moléculas na física quântica.

Não adianta reclamar do governo, quando entre nós mesmos não temos atitudes éticas. Não adianta promover um discurso de inclusão e integração, quando as ações buscam um resultado diferente de uma inclusão e integração real entre PESSOAS. E com isso chegamos às correntes políticas e ideológicas que regem as ações globais nos últimos anos. Fala-se muito em unir, dialogar, integrar, valorizar culturas, e o que temos na realidade? Divisões, discussões inúteis, porque os que seguem a filosofia vigente se recusam a ouvir e ponderar um argumento diferente daquele que lhes é incutido na mente. Reclamam do capitalismo e do dinheiro, mas quando propomos valorizar o “capital humano”, para realizarmos nossos projetos, investindo nas pessoas e nas suas habilidades, imediatamente nos vemos claramente ignorados e sutilmente amordaçados, a menos que se seja corajoso e bravo o suficiente para ainda assim erguer a voz e tentar fazer-se ouvir. Culpa do chamado “elitismo”? Talvez, mas quem é a atual “elite”? Esse ser que se esconde na obscuridade do inconsciente coletivo, que manipula e implanta ideias sem que as pessoas se deem conta de que “suas” convicções podem não ser realmente suas. E curiosamente, utilizam este mesmo argumento contra aqueles que ousam nadar contra a corrente, e tentam pensar por si mesmos.

Criamos conflitos desnecessários, quando nossas opiniões divergentes deveriam servir como caminhos feitos de pontos de vistas distintos para a construção de um bem maior. Até porque, nossa visão humana da realidade é bastante limitada, às vezes o outro pode envergar algo que não conseguimos ver ainda, e muitas vezes, podemos inclusive estar dizendo exatamente a mesma coisa, apenas de maneiras diferentes. E novamente passamos pela micro realidade. Queremos só a parte boa, sem estarmos dispostos a investir a energia necessária para vencer as partes ruins e alcançar o objetivo final.

Exigimos uma mudança externa, quando ela, na verdade vem de dentro. Cansam de dizer isso, mas nunca põem em prática, o que realmente acende a minha revolta! Não digo que seremos perfeitos aqui. Até porque, a perspectiva não parece ser das melhores para os próximos anos, mas meus olhos estão fixos no que vem além dos próximos anos.

Ainda assim está difícil encontrar o link entre um assunto e outro?

Simples, meus caros: PESSOAS.

Quando investimos nas pessoas, a começar em nós, teremos a realidade que tanto almejamos alcançar. Mas para que isso realmente aconteça, precisamos entender que nossos interesses só serão satisfeitos a partir do momento em que compreendermos que o bem do outro é o nosso bem, porque quando nossos companheiros de jornada estão felizes, eles não só terão mais energia, vigor e vontade de realizar mais coisas, bem como também nos ajudarão quando nós fraquejarmos.

Quando vomitarmos o egoísmo e a hipocrisia de dentro de nós, seremos capazes de promover a mudança que tanto almejamos ver no mundo.

PESSOAS, meus amigos… PESSOAS! Elas são o segredo para a transformação das realidades, tanto a micro quanto a macro. Pois é dentro de cada um que se escondem as virtudes e as ferramentas necessárias para que a mudança aconteça. Só precisamos enxergar o que temos diante de nós:

PESSOAS.

 

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Quando o Amor Se Cala

Curiosamente, após dois meses de emoções intensas, o texto que nasce prefere esconder-se no silêncio. A inspiração que ansiava por fazer barulho e criar asas deu lugar a uma melancolia que faz do silêncio a sua voz. Pena, porque era tão cheia de luz e tão colorida…

Talvez seja isso que acontece quando o amor se cala…

Alguma coisa se apaga quando essa força descomunal e fascinante precisa ser contida por inúmeras razões. Por respeito, por necessidade, ou mesmo apenas por consciência… Pode ser muito penoso quando se precisa calar o amor dentro de si… Mas… A vida nem sempre é justa. E tampouco ela permite que as coisas sejam como queremos… Nesse caso, só nos resta aprender a dançar conforme a música.

Creio que já experimentei milhares dessas nuances, desde encantamentos que podem ser confundidos com amor, ou mesmo um amor profundo e desmedido… acho que tive a sorte de conhecer todas as facetas desse poder que move o universo, e hoje… Nessa tarde amena e silenciosa, acho que aprendi mais uma coisa sobre ele e sobre mim mesma… Aprendi que estamos no caminho certo da maturidade quando sabemos quando é a hora de calar o amor, sem necessariamente destruí-lo.

A parte mais magnífica do ser humano são as suas emoções e a consciência de cada uma delas. Conhecê-las e aprender a lidar com elas é o que nos torna superiores aos animais de um modo geral. É a consciência. E a consciência gera sabedoria. E a sabedoria nos faz governar as nossas emoções. E quando governamos as nossas emoções, nos tornamos senhores de nós mesmos.

Calar o amor não significa amordaçá-lo, nem alterar sua natureza… Significa apenas administrá-lo, de modo que ele permaneça livre, de modo que ele continue a produzir o bem, mas de maneira ordenada, sem que dê chances para as doidices da paixão… Porque esta sim, pode ser absolutamente desastrosa se não for domada a tempo.

Aprender a calar o amor, quando necessário, é permitir que as coisas aconteçam serenamente a seu tempo… É deixar a semente dormindo na terra, até que a primavera chegue trazendo o momento propício para que ela germine. E a primavera não vem ao nosso estalar de dedos… Tudo o que está destinado a ser duradouro não brota da noite para o dia e, somente a paciência é a nossa verdadeira aliada para a colheita dos frutos.

Aprender a calar o amor, é aprender a não sofrer quando as circunstâncias não nos são favoráveis… E, curiosamente, pode-se descobrir nesse processo, que o amor fala muito mais alto quando se cala.

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Pé no Freio

Pára, moça! Pensa!

Não vês adiante o sinal vermelho piscando?

Deixa falar alto a consciência,

A sensatez que continua te alertando.

 

Freia! Te segura!

Cala teu coração!

Esta vozinha traiçoeira,

Não deixe-a falar mais alto que a razão.

 

Pára! Pára! Respira!

Já não viveste suficientes decepções?

Não te deixes, outra vez, levar

Por este turbilhão de emoções.

 

Eu sei que dói,

Mas é melhor assim.

Pois evitarás a tristeza que corrói

E te protegerás, te protegerás, sim.

 

Recua, não avances.

Para que não te venha outra vez a dor

De ver teus sonhos frustrados

E desperdiçado teu amor.

 

Freia, freia teu coração com vontade.

Não reveles teus sentimentos.

Quem sabe assim, por ventura, em algum momento

Ainda tenhas chance de encontrar alguma felicidade…

 

Clara Maria Cristina Borges de Medeiros

Itaboraí, 26 de Janeiro de 2016

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Música Orgânica

Música é vida e é VIVA!

Você precisa sentí-la para que possa compreendê-la. A música tem o poder de atingir direto o coração e ela NASCE DO CORAÇÃO. Tanto, que cada batida que marca os tempos de cada compasso, é chamada pulso ou pulsação. Como as batidas do coração.

Você sabe que a música é boa quando ela te faz sentir vivo, quando sua batida está sincronizada com o pulsar do seu coração. Essa é uma experiência absolutamente peculiar e varia de pessoa para pessoa.

Eu acredito na música como o idioma das emoções, porque ela permite que você traduza pela harmonia dos sons o que você jamais conseguiria colocar em palavras. De alguma forma, a música facilita permitir que o coração fale mais alto. É puro afeto.

Até mesmo para tocar um instrumento, e aqui eu tomo o cello como exemplo, não apenas por ser o meu instrumento principal, mas também por sua própria anatomia. Você pode notar que o violoncelo é um dos instrumentos mais afetivos, considerando que, para tocá-lo, é preciso literalmente abraçá-lo, trazê-lo bem junto ao seu coração, para que ele possa soar.

A técnica é importante? Sim, mas às vezes é possível encontrar músicos extremamente preocupados em como tocar seus instrumentos com perfeição absoluta, que eles podem se esquecer completamente de como a música é viva. A música é extremamente orgânica, e por orgânica, eu quero dizer que ela precisa ter algumas imperfeições, porque, de outro modo, ela se torna estritamente mecânica e sem alma. Em outras palavras, quando a música é puramente técnica, perde a sua essência humana, o que faz com que ela seja exatamente o que é: MÚSICA!

A música muda tal como a humanidade muda, mas em um ponto, independente do que os acadêmicos digam sobre isso, ainda é uma linguagem universal, precisamente porque está profundamente ligada ao pulsar do coração.

E para provar isto, eu escolhi a canção abaixo e eu gostaria de convidá-lo, você que tomou tempo para ler este post, para fazer uma experiência. Por um breve momento, tente ignorar o seu gosto pessoal, feche os seus olhos e sinta a batida desta música. Ouça-a sentindo, e se puder, bata de leve, com os dedos, o ritmo percutido perto do seu coração. Então, após o término da música, pense sobre o que sentiu e como você se sentiu com ele

Então você perceberá o que é a música e o quão orgânica ela precisa ser, se quiser cumprir o seu propósito como arte.

 

Quando a Música Pulsa Forte

Quando a música pulsa forte,

É impossível distinguir o que é coração

Do que é marcação.

O som percorre corpo e alma

Enquanto o resto é mera distração.

 

Quando a música pulsa forte,

É difícil saber de onde vem o seu poder

Ou talvez, de tão sabida,

Sua origem seja fácil de perder.

 

E o que dizer quando acontece

Do poder da música fundir-se com o amor?

Mas, e se, talvez…

Ambos sejam tão somente a mesma coisa?

 

Porque música só é música

Se é germinada no coração

E, por amor, torna-se som

E com paixão transforma-se em canção!

 

Da mesma forma o amor,

Plantado no mesmo terreno,

E, de tão inefável,

Palavras não podem descrevê-lo

Então a música vem prontamente em seu auxílio

E lhe traduz a emoção.

 

 

 

Clara Maria Cristina Borges de Medeiros

Itaboraí, 12 de Janeiro de 2016.

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Você É o Que Você Ouve

Conforme prometido a um amigo – e promessa é dívida – segue abaixo a tradução de um texto que publiquei sobre música há alguns anos: You Are What You Listen To

Recentemente eu postei um tweet pedindo sugestões de assuntos sobre os quais eu pudesse escrever aqui no meu blog, e um amigo me sugeriu escrever sobre algo que realmente me é muito familiar: MÚSICA. Ele me disse: “Por que você não escreve sobre os efeitos da música nas pessoas?” E desde então eu tenho pensado em procurar por algumas pesquisas científicas para embasar o meu post sobre a questão. Contudo, ainda que isso desse muito crédito a este post, eu pensei uma segunda vez e percebi que fugiria um pouco da essência desde blog, que é completamente voltado a profundas reflexões sobre os sentimentos. E o que é exatamente a música, além do idioma mais preciso das emoções e da alma? E por quê falar de algo tão poderoso como a música, baseada somente em estatísticas, gráficos e dados, quando ela é capaz de mudar não apenas humores, mas até mesmo comportamentos?

Então decidi esperar um pouquinho mais por um momento mais propício e, porquê não dizer, pela canção perfeita para acompanhar essa reflexão sobre o idioma universal dos sentimentos. Oh, os acadêmicos chegariam a me odiar por falar dessa maneira sobre a música, especialmente os linguistas! Como estudante de música, eu mesma ouvi diversas vezes sobre as divergências e restrições de referir-se à música como uma linguagem universal, mas, considerando que a música tem cerca de 12 funções a mais do que a própria linguagem, então, creio que podemos considerá-la uma linguagem ainda mais completa do que nossos códigos linguísticos, não? Bom, chega de pensamentos científicos. Como eu disse anteriormente, este blog e este post são do coração e não de fontes, gráficos, dados, estatísticas, e como o próprio título sugere, é sobre a Essência.

A música é o nosso jeito de dizer tudo o que não conseguimos colocar em palavras, é o meio que a alma tem de se expressar de uma maneira mais profunda, que nenhum código consegue traduzir. E seu poder é tão grande que ela pode mudar o estilo de vida de alguém e até mesmo o modo como as pessoas encaram a vida. Eu mesma pude ver isso inúmeras vezes. E, o que as pessoas normalmente fazem quando sentem-se tristes? Ouvem música para se sentirem melhores, ou, talvez, ouvem uma música ainda mais triste para derramar todo o coração pelas lágrimas. Independente de como seja, a música está lá de alguma forma.

Você é o que você ouve. A sequência de notas, o equilíbrio entre o som e o silêncio e o modo como esse equilíbrio constrói o ritmo diz muito de quem nós somos. Porque eles expressão o que não podemos dizer com palavras. Por esta razão eu costumo dizer que quando você não conseguir palavras que traduzam a sua alma, melhor tentar uma canção. Porque a música vai expor a nossa própria essência. A música vai gritar, ecoar, tudo o que estamos realmente sentindo e levará quem quer que nos cerque ao nosso mais profundo universo, ao nosso âmago. E é simplesmente maravilhoso, impressionante, como ela pode nos unir. Se fechar seus olhos, enquanto ouve essa música, busque no mais remoto cantinho do seu coração e pergunte-se: o que sente? Então, sinta plenamente, e tente perceber o que pode ter mudado em você.

Você deve estar se perguntando porque eu escolhi esta peça para escrever este post. Acho que eu jamais poderia encontrar melhor canção para ele, já que esta obra foi tirada de um belíssimo filme sobre uma história triste e real, sobre vida, sobre morte, sobre como lidar com o luto e olhar a vida através de um novo ângulo. Sobre construir essa nova visão através das palavras e da imaginação. E aqui, a construo através das palavras e através da música.

Música não é apenas uma combinação precisa de frequências ou a forma perfeita da beleza sonora. É muito mais profunda. Porque ela é tocante. Porque ela alcança muito além do que qualquer discurso, qualquer palavra ou imagem poderia jamais alcançar. É o traço, o laço que nos mantém unidos ao Divino, ao Universo, à Perfeição de Deus. E por esse motivo devemos ser cautelosos com o que damos de alimento à nossa alma. Porque a música é realmente poderosa.

Apenas feche seus olhos e ouça. Mas ouça com seu coração, não apenas com seus ouvidos.

 

 

It’s Time for Hope

Turn Your Eyes Upon Jesus

These are rough times. For every single place on our beloved Earth. There is no peace or love for human life, or maybe there is no love for life at all, no human and no nature life. In less than two weeks, Brazil has lost one of its principal rivers in an industrial catastrophe, and France lost a hundred lives in a terrorist attack. Whomever has orchestrated both situations might have reached out their goal, I suppose.

I won’t be hypocrite. There’s no good prospections ahead. Things still will get a lot worse before they can get better. But we mustn’t be afraid. Actually it’s time for hope. It’s time to look ahead, and see what is beyond this mad world. It’s time to turn our eyes upon Jesus. He has foretold those things would happen, but that we shouldn’t be afraid of them. He has conquered the world.

It’s time to remember WHOM WE WERE CREATED TO BE. It’s time to long for the moment His kingdom shall be settled upon the Earth. Because He’s comming as the King He’s born to be. And soon, all of us, who trust His Precious Name, shall be glorified with Him.

It’s time to be brave and not to fear what is about to come in the next few years. This world must fall and pass, so the new Skies and the new Earth God has promised us can be settled for those who have choosen to look beyond and see the unseen.

We must have FAITH.

We must LOVE, as Jesus has loved us, and make the difference with our lives. UNTIL THE END. We shall suffer. We shall be persecuted. All those things will happen. But WE MUST STAND FOR THE TRUTH. And the truth is: what is now, soon will be no more.

We must have HOPE.

For what is to come, after all those things are past, is far better than any human mind could ever imagine. It will be just as perfect as it was in the very, very beginning, when the Time and Eternity were one and only thing. That is the direction we must look to. That is the path we must follow. THERE IS OUR HOPE.

I know nobody can tell for sure how will it be like, but WE MUST BELIEVE IT. So we can SEE it with our very own eyes. We must trust. This is the time for HOPE. This is the time to LOOK BEYOND, and see what God has prepared for those who dare to LOVE FOR REAL. THIS IS THE TIME FOR REDEMPTION.

We only must BE STRONG, HAVE FAITH AND LOVE.

THIS IS THE TIME FOR HOPE.

Organic Music

Music is life and it’s alive.

You have to feel it in order to understand it. The music has the power to hit straight into heart and it’s born FROM the heart. That much that every beat that keeps the time going is called pulse, just like the heartbeat.

You know the music is good when it makes you feel alive, when its beat is sicronized with your heartbeat. That’s such a very unique experience and it changes from person to person.

I believe in music as the feelings language, because it allows you to translate into sounds things you wouldn’t get to put in words. Somehow, music makes it easier to let the heart speak louder. It’s all about affection.

Even to play an instrument, and here I take the cello as an example, not only because it is my principal instrument, but also because of its own anatomy, you can notice it’s one of the most affective instruments, considering that you must literally embrace it, hold it close to your heart to play it.

Technique is important? Yes, but sometimes you can see musicians very concerned about how to play their instruments perfectly and flawlessly, that they may even forget about how alive music is. It’s very organic, and by organic I mean it HAS to have some imperfection, or so it will become strictly mechanical and soulless. In other words, when music is purely technical, it loses its human essence, that is what makes it to be exactly what it is: MUSIC!

Music changes as the mankind change, but in one matter, despite everything the academics may say about it, it’s still an universal language, precisely because music is strongly connected to the heartbeat.

And to proof it,  I took this song below and I want to invite you,  who took time to read this post, to make an experience: For just a moment, try to ignore your personal taste,  close your eyes, and feel the beat of this song. Listen it feeling and, if you can, tap the percussion rythm close to your heart. Then, after the song is over, think about what and how you felt with it.

Then you’ll find out what music is and how organic it must be, if it wants to fullfill its purpose as an art.

E se eu perecer, pereci.

Tá! Eu sei que é um título meio mórbido, mas vem bem a calhar para tempos tão mórbidos. É eu sei que soa meio pessimista, mas não adianta tentar enxergar a realidade com um par de lentes cor-de-rosa porque ela não vai ficar mais colorida só porque você quer vê-la assim.

A frase do título foi proferida pela mulher que mais admiro em todos os tempos: Hadassa. Ou, se preferir, a Rainha Ester.

Vou tentar resumir a história para quem não conhece tentar entender um pouco. Ela foi uma mulher judia que participou acho que do primeiro concurso de beleza da História da humanidade. É SÉRIO! Em um tempo onde as mulheres eram exibidas como troféus, o imperador da Media e da Pérsia, solicitou que sua rainha se apresentasse aos seus convidados em um banquete. Vasti, que não era boba nem nada, decidiu preservar-se, mas isso não foi muito bem recebido pela sociedade machista da época (é, nesse ponto eu tenho que concordar com as feministas que foi um tremendo machismo Vasti ser punida por querer se preservar). Como castigo, deixou de ser rainha. E lógico, como os homens nunca conseguem ficar sozinhos, Assuero, ou Xerxes, logo tratou de procurar por uma nova rainha, e promoveu um enorme concurso de beleza para escolher a mulher mais bela de todo o reino. E calhou de ser uma judia.

Por que decidi escrever sobre isso? Eu estava apenas refletindo sobre os fatos da era contemporânea…

Ora, esse mundo já viu guerras incontáveis, e agora já tem mais uma explodindo por aí. Todas as nações se voltam contra judeus e cristãos, e contra qualquer pessoa que ainda tenha o mínimo de bom senso, simplesmente porque estamos despertos o bastante para perceber que há algo muito errado acontecendo por aí e que o cenário não é tão colorido assim como tentam nos pintar. Pelo contrário, é ainda mais cinzento… quase negro.

O que essa menina judia que virou rainha tem a ver com isso? Bom, ela teve um papel fundamental na História de seu povo, assim como cada um de nós temos um papel fundamental na História de toda a humanidade. Mas assim como existia uma sentença para quem ousasse se apresentar ao rei sem ser convidado naquela época, a mesma sentença existe hoje para quem ousa contrariar o sistema. A mesma sentença existe para quem decide optar por uma estrada diferente. A mesma sentença ainda existe para quem ousa manter-se íntegro. A sentença de morte.

Meio pesado isso, né?

Mas é verdade.

Mesmo que não seja morte física, como era na antiguidade, hoje temos inúmeros tipos de morte, às vezes até piores do que a morte física, que pelo andar da carruagem, já anda me parecendo até uma amiga para aqueles que sabem o que está por vir. Não, eu não quero morrer, antes que alguém pense asneira! Não é isso… Mas aqueles que partem, os que partem em paz, é importante ressaltar, mesmo que tenham sido martirizados, partem em paz, pois sabem que o seu galardão os espera, são mais felizes do que os que ficam…

Por que essa frase? Se eu perecer, pereci.

Estamos vivendo tempos em que, se queremos que algo bom aconteça, nós mesmos precisamos arregaçar as nossas mangas e fazê-lo. As leis que estão sendo implantadas não são e jamais serão feitas a favor do povo, ou de quem quer que seja, além daqueles que, com sede de sangue, desejam governar sobre a Terra. E mesmo assim, a sentença para quem intenta fazer o bem, é a morte. Perto dessa morte, a morte física é irrisória. Acho que a pior morte é a de nos isolarmos uns dos outros, é a morte da nossa Essência. A morte de quem NASCEMOS PARA SER. Todos nós nascemos para sermos imortais, mas somente alguns poucos conseguem enxergar o Caminho a ser seguido para alcançar a Vida Eterna. E os que aceitam esses óculos de lentes cor-de-rosa, se riem dos que optaram por enxergar a realidade como ela é.

Quando se morre na Essência, morre-se em todo o resto.

Por causa da inveja do primeiro-ministro, e da revolta por não ter o seu Ego inflado por um judeu, todo o povo judeu na época de Ester foi condenado à morte. TODO O POVO. Assim como foi condenado à morte no Holocausto da Segunda Guerra e assim como está sendo condenado HOJE por uma mídia vendida e manipulada. E quem se posiciona a favor do povo judeu, ou a favor de qualquer conceito rotulado de “conservador” pela mídia e pelos formadores de opinião, também é sentenciado à morte. À morte social. É colocado à margem, é deixado de lado, é escarnecido, zombado… Sofre processos… Não interessa se intentava fazer o bem. Seu modo de pensar é suficiente para condená-lo à morte social. Por que se recusa a alimentar o Ego da humanidade. E se pensam que pára por aí, enganam-se. Para manter-se íntegro, será preciso ter a coragem de uma rainha (na verdade esse post é muito mais pra mim do que pra quem quer que leia isso…)

É preciso coragem.

Coragem para não acomodar-se no esplendor do palácio da zona de conforto. Coragem para encarar os preconceitos por ser fiel a si mesmo e ao que escolheu acreditar. Coragem para não se deixar abater com as consequências momentáneas de sua escolha, porque tudo o que existe aqui é momentâneo. Passa como um sopro. Coragem para entrar na presença do rei, ou dos reis e rainhas que nos cercam, as pessoas com quem lidamos no nosso dia a dia, e convidá-los ao Banquete da Vida. Convidá-los ao Banquete que abrirá os seus olhos para o que acontece bem debaixo dos seus narizes e que não conseguem enxergar porque ainda estão com esses óculos que lhes turvam a visão e lhes distorcem os fatos. Coragem para apresentar-se a eles, mesmo sabendo que a sentença é a morte social, e mesmo assim dizer:

Se perecer, pereci.

Eu até poderia terminar o texto aqui, mas não é assim que a história termina! Não! A bela rainha acha graça aos olhos do rei e consegue (SIM! ELA CONSEGUE!), convidar a ele e ao primeiro-ministro invejoso para um banquete em seu palácio, onde lá, ela revela ao rei que o traíra do primeiro ministro tinha forjado uma lei para matá-la e com ela todo o seu povo. Ah mas que cena gloriosa deve ter sido o primeiro-ministro implorando o perdão da rainha e o rei, ao dar de cara com aquela cena humilhante (para o primeiro-ministro, claro) interpretá-la como se ele estivesse tentando se aproveitar dela! Ai como eu queria ser uma borboletinha para farfalhar minhas asas naquele jardim e ver de perto a cara de espanto daquele homem ao ser condenado a morrer na mesma forca que tinha preparado para o tio de Ester. Não fico feliz que ele tenha sido condenado à morte, mesmo que tenha feito por merecer, eu preferiria que tivesse se arrependido, mas como eu disse, a realidade não é como gostaríamos de enxergá-la. Mas eu fico feliz que houve a chance de defesa.

Muitas pessoas morreram por causa daquela lei, de ambos os lados, mas a chance de defesa sempre traz a esperança do arrependimento. A chance de defesa, sempre traz a esperança da reconciliação, e por esse motivo:

Ainda que eu pereça, VIVEREI.

A Porta Estreita

Eu escolhi um Caminho difícil de se seguir… deve ser por causa dessa tendência natural que tenho de gostar de coisas difíceis. Escolhi acreditar e confessar Jesus Cristo como meu Senhor e meu Salvador. Escolhi andar na contramão do sistema, escolhi ser diferente e tentar fazer diferença por onde passo. Escolhi abdicar de alguns prazeres momentâneos em prol de um bem maior e Eterno… Escolhi olhar um pouco mais adiante, um pouco além desse universo que rapidamente se decompõe, e cada dia mais rápido.

Eu escolhi tentar fazer o que é certo ainda que todos à minha volta insistam que estou errando… Escolhi respeitar a Vida, escolhi respeitar meu Semelhante, escolhi tentar ter misericórdia e paciência mesmo quando meus interesses são subjugados. Eu escolhi ser louca em um mundo onde a sanidade consegue ser ainda mais insana do que a minha própria loucura!

Sim, porque somente um Louco é capaz de entender e abrir o coração para o Amor de Deus. Somente sendo completamente louco para conseguir compreender o que está além da compreensão humana. Somente sendo louco para ESCOLHER ter um RELACIONAMENTO PESSOAL com Alguém que não se pode ver, mas que está em toda parte, que controla cada cantinho de todas as dimensões existentes, que se manifesta em toda a natureza, e governa sobre o que conhecemos e o que não conhecemos.

É preciso ser mais do que louco para entender que, mesmo com toda essa Soberania, mesmo com toda essa Inteligência, mesmo com toda essa Majestade, Ele ainda assim ESCOLHEU nos amar. Ele ainda assim ESCOLHEU se entregar por nós, Cristo ainda assim ESCOLHEU nos ensinar como nos RELACIONARMOS com ELE e entre nós mesmos.

Eu escolhi a Eternidade.

Mas o caminho para se chegar a ela é bem mais pedregoso do que se sugere. O Caminho é estreito demais, e é inevitável trilhá-lo sem se machucar. É impossível trilhá-lo com uma bagagem que será inútil no lugar para onde esse Caminho nos conduz. Porque as nossas vontades mesquinhas não passam por essa Porta. Nosso egoísmo, nossa vaidade, todas essas distorções da Verdade são grandes demais para tão pequenos espaços, mas sempre insistimos em carregá-los e por isso nos ferimos. Nesse Caminho, se você leva algo além do seu Coração, com certeza você não consegue passar. O Ego não passa por essa Porta. É preciso reconhecer a nossa pequenez, para que possamos passar.

Em alguns momentos essa ESCOLHA dói, sabe?… Dói, porque muitas vezes gostamos de pessoas que preferem seguir outras direções, dói porque a possibilidade de não encontrar nossos amados no destino final é por demais angustiante, dói porque é um Caminho que SÓ VOCÊ PODE DECIDIR SE QUER OU NÃO SEGUIR. Você pode e DEVE compartilhá-lo com TODOS à sua volta, mas você NÃO PODE ESCOLHER por eles. É uma decisão pessoal. Pessoal como um RELACIONAMENTO. Pessoal como o próprio AMOR.

Não se pode ter um relacionamento com alguém a quem não se ama. Pode-se ser cordial, ser respeitoso, mas NUNCA haverá um RELACIONAMENTO. Da mesma forma é a FÉ. Tanto a FÉ quanto o AMOR são ESCOLHAS, são DECISÕES.

Decisões que são tomadas pelo resto da vida e para além dela.

Eu escolhi passar por essa Porta Estreita, onde só se passa UM POR VEZ… Mas se querem saber, há muitos, MUITOS DE VOCÊS QUE EU QUERO/QUERIA LEVAR COMIGO. HÁ MUITOS DE VOCÊS POR QUEM EU TENHO UM CARINHO TÃO IMENSO E INEFÁVEL, E EU QUERIA MUITO PODER DIZER: VEJO VOCÊS NA ETERNIDADE. Porque o tempo está se esvaindo, muito, muito fugaz. E logo, o que é agora, em breve já não será mais.

EU QUERO MUITO PODER DIZER: VEJO VOCÊS NA ETERNIDADE. MAS ESSA ESCOLHA EU NÃO POSSO FAZER POR VOCÊS. EU POSSO AMÁ-LOS, COM O MESMO AMOR QUE FUI AMADA. POSSO TENTAR ADVERTÍ-LOS AINDA QUE O MEU MODO NÃO SEJA DOS MAIS AGRADÁVEIS, MAS QUERO QUE SAIBAM SEMPRE, É TUDO POR AMOR. MAS ESSA ESCOLHA EU NÃO POSSO FAZER POR VOCÊS… E ISSO ME DÓI.

Talvez seja essa a parte mais estreita do Caminho… e também a mais penosa…

Deve ser porque A Porta está logo ali adiante… Tão perto que já consigo vê-la.

E eu quero muito que, após atravessá-la, eu possa dizer: QUE BOM QUE ESTÃO AQUI COMIGO. QUE BOM QUE ESTÃO NA ETERNIDADE COMIGO.

A Cultura da Solidão

“É impossível ser feliz sozinho.” – Wave, Tom Jobim

Ultimamente tenho percebido muitos posts que dizem que antes de você ser feliz com alguém, você precisa ser feliz sozinho, e se ninguém vier, está tudo bem. Ok, entendo o raciocínio de que antes de estar com alguém, precisamos estar bem conosco mesmos. Esse é o princípio do amar ao próximo como a si mesmo.

MAS…

Como sempre tem um mas em tudo, esses dias eu andei analisando essa onda de que todo o amor do mundo tem de ser voltado para nós mesmos, sempre eu, eu, EU, EU SOZINHO… Ninguém percebeu que tem alguma coisa errada nisso aí não?

No post anterior, em resposta a um artigo sobre a dependência emocional, eu abordei a questão de como ela tem sido utilizada como ferramenta para incutir na consciência das pessoas que qualquer tipo de afeição mais duradoura que se possa ter por alguém gera pretexto para que ela entre em cena obrigando as pessoas a mergulharem numa independência ilusória, que não condiz com a real essência humana, afinal, o homem foi feito com o objetivo primordial de RELACIONAR-SE. Primeiro, relacionar-se com o Eterno. Quando o Criador percebeu que o homem estava, se sentia só, criou a mulher para ser companheira, ou seja, para se relacionar com seu semelhante.

E agora eu pergunto, mais uma vez: Quantos relacionamentos na sociedade contemporânea têm alguma perspectiva de serem duradouros? Quantos de nós estamos dispostos a nos doar em prol de um relacionamento, em prol de alguém, a fim de que esse relacionamento seja frutífero e perene?

Um dos meus autores prediletos, C.S.Lewis em seu livro Cartas de Um Diabo ao Seu Aprendiz observa que as pessoas se relacionam pelos motivos errados e se casam por razões equivocadas e, justamente quando o Amor deveria entrar em cena, elas se separam porque o encanto acabou. Sim, há uma enorme diferença entre o encanto de estar apaixonado e o Amor que faz com que um relacionamento dure a vida inteira.

O que isso tem a ver com o título do post?

Ora, só para refrescar um pouco a memória, uma das maiores questões abordadas atualmente é sobre como estamos cada vez mais conectados e cada vez mais distantes. Sim, ao ponto de mãe e filha, morando na mesma casa, se comunicarem basicamente só pela internet do celular. Não tem uma semana que este caso foi relatado na televisão. Eu vejo amigos, muitos amigos, postando textos lindos falando sobre o amor próprio, sobre ser feliz consigo mesmo… Alguns eu sei que foram meio que indiretas, porque eu confesso, volta e meia eu reclamo um bocado da solidão… Tá… eu reclamo MUITO da solidão… Mas nesse momento, eu compreendo que a minha condição me é muito mais favorável do que eu poderia supor. Eu convivo bem comigo mesma, afinal, sou única do jeito que sou, virtudes e defeitos, mas o fato de eu estar sozinha, pelo menos nesse momento, me proporciona uma visão mais clara de tudo o que acontece, e uma consciência ainda maior de como a solidão nos é IMPOSTA. No meu caso, estar sozinha é uma opção, porque não vou desperdiçar meu tempo com relacionamentos que eu sei que serão infrutíferos, mas isso em momento algum me privou da minha capacidade de amar, e se possível, ainda aprender a amar incondicionalmente. Não do jeito que Jesus me amou… ainda estou longe de alcançar esse patamar de perfeição, mas eu tento. Não posso dizer que consigo, mas tento.

Diferente disso, é o modo como somos induzidos a pensar que para ser feliz com alguém (e aqui eu incluo não apenas relacionamentos homem/mulher, mas também relacionamentos de amizades e relacionamentos familiares, cada um com seu amor característico), precisamos ser o centro da felicidade, e para encontrar essa “felicidade” precisamos nos afastar, principalmente emocionalmente, das pessoas ao nosso redor, das pessoas que nos querem bem. E assim, cada vez mais isolados em nossas ilhas de busca de si mesmo, nos afastamos da nossa essência que é nos relacionar com o outro. Até porque, podemos aprender muito sobre nós mesmos com o outro. Verdades que machucam, virtudes que jamais saberíamos reconhecer em nós mesmos… Precisamos voltar a aprender a olhar nos olhos, a investir tempo em longas conversas no fim de tarde, seja no portão de casa, à beira do mar ou à volta da mesa… Precisamos reconectar nossas almas, nossos sonhos, nossos pensamentos e opiniões, por mais divergentes que sejam. Precisamos voltar a sentir.

Quando cedemos à ilusão de acharmos que para fazer alguém feliz, precisamos nos afastar emocionalmente dessa pessoa, ficamos mais vulneráveis. E, vulneráveis, sucumbimos a toda e qualquer imitação de relacionamento que nos é imposta, sem questionar, porque estamos tão desesperados e perdidos no centro da nossa solidão, que passamos a acreditar que qualquer engodo que se passe por amor é válido, por mais doentio que seja. Os relacionamentos, principalmente relacionamentos entre homens e mulheres são tão essenciais para a existência humana, que são os primeiros a serem atacados por essa e outras filosofias inúteis, tais como “ninguém é de ninguém”, “amor sem compromisso”… Isso não existe!!!!! Se essas maneiras de pensar fossem saudáveis, não teríamos tantas pessoas sofrendo de ansiedade, depressão e trocentos outros males que nos assolam porque estamos emocionalmente vulneráveis e desprotegidos.

Amor requer compromisso, e compromissos exigem sacrifícios que ferem ao nosso ego. Mas a sociedade incutiu em nossas mentes que não devemos nos sacrificar por causa alguma a não ser por nós mesmos. E com isso cometemos o maior e pior sacrifício de todos: o suicídio emocional. E eu posso garantir, essa é a pior dor que pode existir. Ainda pior do que a dor de amar.

Amar dói. E por isso é uma decisão. Impregnada de sentimento, fato, mas ainda assim uma escolha.

“Amar é ser vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração irá certamente ser espremido e possivelmente partido. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, não deve dá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em passatempos e pequenos confortos, evite todos os envolvimentos, feche-o com segurança no esquife ou no caixão do seu egoísmo.

Mas nesse esquife – seguro, sombrio, imóvel, sufocante – ele irá mudar. Não será quebrado, mas vai tornar-se inquebrável, impenetrável, irredimível.

A alternativa para a tragédia, ou pelo menos para o risco da tragédia é a danação. O único lugar fora do céu onde você pode manter-se perfeitamente seguro contra todos os perigos e perturbações do amor é o inferno”.

– C. S. Lewis. “Os Quatro Amores.”

Só para lembrar, quem disse que NÃO É BOM QUE O HOMEM ESTEJA SÓ, foi o próprio Criador do Universo e do homem.

A Ilusão da Independência

http://nathanqueija.com/2015/08/17/sindromedopequenoprincipe/

Eu confesso que quando li o título e as primeiras frases do artigo no link acima, eu fiquei muito indignada, senti-me ultrajada até, não apenas pelo fato de O Pequeno Príncipe ser uma das minhas obras prediletas, mas também por já ter ouvido uma pessoa, incompetente para saber sustentar um relacionamento, usar a dependência emocional como pretexto para me acusar de seus fracassos emocionais. Mas para minha felicidade, tomei tempo para reler e tentar compreender o que o autor quis dizer ao acusar o Pequeno Príncipe de ser emocionalmente dependente, e depois que compreendi seus argumentos, certamente modificou completamente a intenção deste post que se propõe ser uma resposta ao artigo. No entanto, manterei a linha de raciocínio, agora tomando como base o artigo que eu pretendia contra-argumentar.

Tomo-o, agora como base, para apresentar a causa que gerou as reflexões que ele argumenta no texto, o motivo de termos uma geração desesperada e emocionalmente doente: A Ilusão da Independência. E essa ilusão começa já no Éden, oferecida pela Serpente, que também aparece na obra mencionada. Nos primórdios nós tínhamos um relacionamento sadio, o coração do homem era preenchido naturalmente pela alegria de uma inocência que lhe era peculiar, como crianças. Até o momento em que fomos seduzidos pelo desejo de termos mais do que precisávamos e enganados pela ideia de que poderíamos conseguí-lo por nós mesmos. Achamos que não precisávamos mais do relacionamento com O Pai, e que poderíamos ser independentes. E desde então, buscamos recuperar esse vínculo que foi perdido com coisas efêmeras.

A minha revolta com o termo “dependência emocional” é em como ele é normalmente aplicado para reforçar essa ideia de independência, quando na verdade, as pessoas deveriam ser induzidas a pensarem na co-dependência, ou seja, todo ser humano precisa um do outro. Se não fosse assim, a mulher não teria sido criada para estar junto com o homem. Penso que a pior cegueira em que o homem pode estar mergulhado é a ideia de ser autossuficiente. E quando acreditamos que podemos ser e fazer tudo sozinhos, esse é o momento em que escancaramos as portas para a solidão, e com isso, nos apegamos às coisas efêmeras para preencher o vazio que inconscientemente permitimos que se apoderasse de nós.

Somos levados a acreditar que para sermos independentes não podemos e não devemos precisar de ninguém. Quando achamos que não precisamos de ninguém, nos isolamos, quando nos isolamos, a solidão nos consome, e quando somos consumidos pela solidão, tentamos desesperadamente encontrar algo que nos tire dela. Uma coisa é apreciar a solitude e usá-la a seu favor. Outra coisa, é passar muito tempo sozinho e esquecer-se de que não é bom que o homem esteja só. Infelizmente, vivemos tempos em que esquecemos completamente desse fato, e nos perdemos em relacionamentos privados de responsabilidade mútua, onde aqueles que são conscientes de sua responsabilidade para com o outro são rotulados de dependentes emocionais, porque já não sabemos mais como nos relacionarmos. Esquecemos que relacionamentos são vias de mão dupla, esquecemos que relacionamentos demandam investimento de energia, afeto, comunicação… E sempre damos um jeito de acusar de dependência quem investe mais, por não sermos capazes de admitir nossa incompetência em retribuir o afeto que nos é confiado.

E nesse ponto eu faço coro com o autor do artigo, que não se pode controlar a vida alheia. Contudo, existe uma diferença abissal entre cuidado e desejo de controle e, lamentavelmente, o discernimento dessa diferença parece andar bastante nebuloso nas relações hoje em dia. Anda-se tão temeroso da tal “dependência emocional”, que o menor sinal de zelo é tomado como desejo de controle. É como se tivessem borrado todos os traços que definem e dão forma aos relacionamentos, que já não se sabe mais distinguir o que é doentio do que não é, e assim, pega-se tudo e joga-se no mesmo saco, e continuamos nos isolando. Continuamos mergulhando em solidão, acreditando sermos completamente independentes, quando na verdade, a única coisa que pode nos manter vivos é a consciência de que somos seres co-dependentes e precisamos uns dos outros para sobreviver.

Ontem eu estava conversando com um amigo justamente sobre isso. Sobre como essa “cultura da independência” nos isola e nos expõe às doenças emocionais. Sobre como a anulação da família como célula matter da sociedade, nos torna vulneráveis e facilmente destruídos. E assim vivemos, nesse ciclo doentio de isolamento e busca por conforto… Se observarmos bem, não há ninguém que não sofra de algum tipo de dependência emocional. Todos nós precisamos de um porto seguro no qual possamos repousar. Mas ainda insistimos em achar que podemos ser independentes do Criador… Enquanto formos rebeldes, sempre buscaremos conforto no que jamais poderá nos confortar.

ÁGAPE

Cá estou novamente a escrever sobre meu tema predileto… Amor. Mas antes de mergulhar nessas profundezas, devo mencionar um fato curioso do qual me lembrei agora. Eu escrevo poemas desde os meus 10 anos de idade. Lembro-me que uma vez houve um concurso de poemas na escola onde eu estudava, e todos me incentivaram a participar, mas eu não me animei. O tema do concurso era justamente sobre o amor e, por incrível que pareça, naquela época eu julgava não saber escrever sobre o assunto, muito embora eu tenha essa essência romântica desde sempre…

Mas por incrível que pareça, hoje não falarei do amor romântico. Não… Perto desse Amor, o amor romântico nada mais é do que um mero reflexo superficial à flor da água, que uma pequena aragem, ou mesmo um simples sopro de brisa, é capaz de desfazer. O Amor que tentarei descrever aqui é outro…

A palavra que dá título a este texto é oriunda do grego. A tradução dela, segundo o Dicionário Aurélio possui três significados, e eu me aterei apenas ao terceiro: Vínculo que liga duas almas que se compreendem.

Tudo o que escrevo aqui, provém e tem a ver com a essência. Tal como o Amor Ágape. Esse é o Amor mais profundo que pode existir. Esse é o vínculo profundo que liga duas almas que se compreendem. Maior e mais amplo que a imensidão do céu. Esse é o Amor que é forte como a morte. É o Amor que leva a alguém a abdicar de todos os seus interesses em prol da felicidade do outro. É o Amor que fez com que Jesus Cristo entregasse a Sua vida em uma cruz em nosso lugar. Forte como a morte.

É, talvez, o amor mais poderoso que alguém possa experimentar na vida.

O Amor forte como a morte é capaz de, em prol da felicidade do outro, abdicar da sua própria. O Amor forte como a morte é capaz de matar em si mesmo seus próprios desejos para que o outro esteja bem. O Amor forte como a morte, não se importa em morrer para que o outro viva. Em todos os sentidos. O Amor forte como a morte não tem medo de sacrificar-se.

Muitas histórias românticas até trazem essa equação de amor e morte (eu sei que isso tá soando meio mórbido, mas vai ter uma reviravolta, eu prometo!), mas não da forma correta. E aqui muitos dirão: não existe fórmula correta para o amor. Para o amor romântico talvez não, mas o Amor Ágape é reconhecido de longe pelo modo sobrenatural como ele se manifesta.

Poucos, muito poucos são capazes de compreender esse Amor. E por não compreenderem, facilmente recusam-se a aceitá-lo (E aqui, refiro-me ao Amor de Cristo pela Humanidade). Talvez por isso, vivamos relacionamentos tão vazios de sentido. Facilmente rompidos, pela falta de compromisso, desgastados pelo desejo de SER feliz em vez de FAZER feliz… Eu costumo dizer que a Fé é muito mais uma questão de relacionamento do que de religião. Por esse motivo, Fé e Amor não podem de modo algum dissociar-se. Ambos caminham de mãos dadas, e um é espelho do outro nas relações humanas. O modo como você percebe as coisas sobrenaturais pela Fé vai refletir no modo como você lida com os seus vínculos com as pessoas ao seu redor e vice-versa: o seu Amor para com o próximo é um reflexo do seu Amor expresso pela sua Fé.

Onde eu pretendo chegar com isso? Simples: A Fé é a semente de Vída que só pode ser germinada pelo Amor forte como a morte. E a semente não germina se antes não morrer. A Vida não é gerada se não houver sacrifício, e o Amor não existe se não for capaz de matar em si mesmo as próprias paixões, os desejos mesquinhos e egoístas em favor da liberdade e da vida de quem se ama. Não será Amor se não souber abdicar das próprias expectativas. Não pode ser Amor, AMOR DE VERDADE, se não souber que o outro é mais importante do que si mesmo. Jamais será AMOR se não estiver disposto a sacrificar-se, e com isso gerar VIDA, e com a VIDA, felicidade.

Que sejamos capazes de refletir esse Amor que Cristo veio em carne para nos ensinar. E que a nossa vida seja o farol a brilhar esse Amor, de maneira sincera e verdadeira, leal e honesta para com todos aqueles que nos cercam. E que quando dissermos: EU TE AMO, que ele seja carregado com a pureza e legitimidade desse Amor. 

Ainda Dá Tempo de Amar

Quando o último limite moral humano cair, não haverá mais esperança para a humanidade.

Eu sei que um monte de gente vai dizer que eu estou sendo negativa, mas acho que encarar os fatos, por mais duros que sejam, ainda é melhor do que enxergar as coisas por uma lente cor-de-rosa que distorce o nosso foco e neutraliza toda e qualquer possibilidade de ação. Porque um instinto natural do ser humano é levantar-se e mudar quando algo está muito ruim. Mas quando somos levados a acreditar que tudo está bom, quem ousará mudar a situação?

Não sei quantos aqui já perceberam que hoje faz-se propaganda de seguros funerários como se fossem apartamentos, onde alguém estará pronto para começar uma nova fase de sua vida. E o que dizer dos “suplementos vitamínicos”? Quer dizer que não podemos ter uma alimentação saudável porque todas as estratégias político-econômicas esmagam o pequeno agricultor, fecham fazendas produtivas para dar lugar à indústria de alimentos, com toda a sua produção escusa, envenenada de todas as maneiras possíveis e até mesmo inimagináveis, que geneticamente eliminam todos os nutrientes dos alimentos produzidos pela terra de modo que mesmo que mantenhamos uma dieta equilibrada, a sensação nunca é de saciedade. Alguém aí já ouviu falar do CODEX ALIMENTARIUM? Não? É bom dar uma ligeira pesquisada no assunto. Mas,  voltando aos suplementos, sutilmente estamos sendo induzidos a substituir nossa alimentação por pílulas! E sabe Deus o que colocam nessas pílulas!

E quanto aos nossos relacionamentos? 
Alguém aqui já parou para refletir que o discurso politicamente correto gera mais ódio do que conciliação? Alguém aqui por um acaso sequer parou pra pensar? 

Acho difícil, porque a reflexão requer um exercício de solitude, requer momentos a sós com a própria consciência (no meu caso acho que já superei a dose saudável do tempo que passo sozinha, e isso não é bom) – e aqui chego ao cerne mais profundo de todas essas questões:

Estamos forçosamente sendo isolados uns dos outros e as circunstâncias são as mais diversas. Somos forçados à solidão quando somos bombardeados de informações distorcidas, que incitam à intolerância tão somente por pequenas divergências de opinião.  Somos forçados à solidão, porque nossos relacionamentos estão doentes, mas quem comanda o sistema nos obriga a pensar que a falta de compromisso,  principalmente nos relacionamentos amorosos, é saudável, quando na verdade os efeitos são devastadores.

Somos forçados à solidão quando chegamos a um ponto onde já não sabemos mais distinguir o nível e a qualidade dos nossos relacionamentos, porque tudo “é normal”. E, no fundo, todos nós sabemos que nem tudo é normal.  E assim somos obrigados a engolir nossas dores mais profundas para não contrariar o sistema, enquanto morremos aos poucos,  privados da plenitude da nossa essência humana. Morremos aos poucos, e às vezes sem sequer ter a consciência de que estamos morrendo, porque esse mesmo sistema que nos trata como gado,  nos obriga a usar essas lentes distorcidas de positividade em meio a um cenário nefasto e destrutivo.

Espero que mais alguém acorde enquanto ainda é tempo… As coisas que estão escritas vão acontecer, mais cedo do que se imagina, mas ainda dá tempo de espalhar carinho. Ainda dá tempo de transformar a vida de alguém. 

AINDA DÁ TEMPO DE AMAR DE VERDADE. AINDA DÁ TEMPO!

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