O Vilipêndio à Intimidade do Corpo

E lá vou eu… Prepara que lá vem textão!…
 
De novo a polêmica da nudez na “arte”. Desta vez o motivo é um projeto de lei aprovado no Espírito Santo que proíbe representação do ato sexual ou nudez em exposições. Novamente a enxurrada de reclamações de “censura”.
 
Para começo de conversa, se o Capítulo VI, Artigos 233 e 234 do Código Penal Brasileiro fossem cumpridos, não haveria a necessidade se criar MAIS UM projeto de lei que aborde a questão. Isto gera burocracia e atravanca a fluência de todos os processos civis da sociedade brasileira.
 
Agora sobre a nudez na Arte: Outra vez torno a dizer aqui, a nudez na Arte SEMPRE EXISTIU. FATO. No entanto, existe uma grande diferença entre a nudez retratada em uma escultura e uma pintura, de acordo com o seu contexto e propósito, e a nudez explícita em local público, e esta última fere SIM os artigos supracitados do Código Penal Brasileiro.
 
Caros colegas artistas, eu concordo que a Arte deva ser ferramenta de livre expressão, indução ao pensamento crítico e reflexão, mas o que estão querendo fazer com ela é qualquer coisa MENOS Arte.
 
Tudo bem que discordem de mim a respeito de Arte ser uma celebração do Bom e Belo, porque estes são conceitos subjetivos e existem trocentas mil linhas de pensamento e formas de se conceber o conceito de Arte, mas nada disso confere ao artista o direito de insultar o senso comum, crenças, tradições e convenções sociais em nome da “arte”. Sinto muito, mas isso nos denigre e nos desonra enquanto profissionais, nos jogando a um patamar deplorável e de não reconhecimento do nosso ofício como uma profissão “respeitável”. Sinto muito, mas esta é uma verdade inegável que enfrentamos no nosso cotidiano profissional.
 
Agora, sobre a questão da nudez.
 
Sim, eu sou careta, quadrada, coxinha, conservadora e quaisquer “ofensas” queiram dirigir à minha pessoa, mas eu encaro a nudez algo de um foro EXTREMAMENTE ÍNTIMO. E isso nada tem a ver com tabus sobre corpo ou ato sexual. Eu apenas acredito que, sendo o nosso corpo o templo da nossa alma, não devemos expõ-lo aos olhos de estranhos. Ok, alguns encaram isso como natural, não estou aqui para julgar ninguém. Da mesma forma que ninguém deveria ser obrigado – por falta de melhores opções – a consumir uma arte que lhes ofende os princípios e valores.
 
E lamento dizer que, essa rejeição das pessoas que se recusam a aceitar atos obcenos como “obras de arte” não se trata de censura. Muito pelo contrário. Trata-se da liberdade de expressão do público em acolher ou rejeitar este ou aquele produto artístico – sim, a Arte é um bem de consumo, portanto, todo elemento ou forma de expressão artística é, por consequência, um produto.
 
A questão da legislação é, na verdade, uma faca de dois gumes. Se for observada pelas lentes da alta rejeição do público às “manifestações artísticas” recentes, esse projeto de lei é um eco da voz do povo. Por outro lado, em casos extremos, pode ser sim encarado como censura, uma vez que parte de cima, e não de um clamor popular. Mas como eu disse, só em caso extremos. Acredito que estamos suficientemente evoluídos para sabermos fazer distinção entre Arte e arte. Além disso, como eu disse no início do texto, tal projeto é uma legislação redundante, uma vez que já temos artigos legais que tratam do tema.
 
Sobre o título deste post:
 
No meu entender, vilipêndio é tudo o que invade, denigre e perverte algo ou alguém. E em nossa era tem havido um culto bizarro ao vilipêndio das coisas sagradas, e o corpo é uma delas. Não se trata apenas de nudez exposta. Tratase de atos que deveriam ser compartilhados somente entre duas pessoas, em um contexto de profundo amor e abnegação, que cada vez tem sido mais e mais distorcido e deturpado de seu propósito maior, que seria unir duas pessoas numa expressão máxima de cumplicidade.
 
Mas o que se pode esperar de uma geração de relacionamentos descartáveis e de sentimentos borrados e indistinguíveis como um grande borrão de tinta onde não se conseguem identificar as cores, ou sequer a forma da pintura?…
 
Eu sinto muito, caros colegas, mas o que vocês insistem em tentar vender como arte, na minha humilde opinião e limitada compreensão está muito longe de Ser Arte.
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