O Espinho da Rosa

Saint-Exupéry descreve de forma poética os conflitos gerados nos relacionamentos por causa dos caprichos femininos. É bastante comum ns queixarmos apenas dos comportamentos masculinos que nos ferem e nos marcam, por vezes, para toda a vida. Mas e quanto a nós? Será que somos sempre as donzelas inocentes que nunca erramos nos nossos relacionamentos? 

No livro O Pequeno Príncipe vemos um jovem rapaz que vivia sozinho em seu mundinho, até que, trazida pelo vento, a semente de uma rosa significou o surgimento de algo que transformaria completamente a sua vida. Deslumbrado com a beleza da flor que agora encantava o seu pequeno universo, o Pequeno Príncipe não mede esforços para tentar agradar sua amada rosa, que parece nunca se contentar. Então um dia, frustrado com tantas queixas da rosa, ele decide partir.

O comportamento feminino, na prática, de um modo geral não difere muito do comportamento caprichoso e insolente da rosa. Por mais que sejamos conscientes e saibamos valorizar os esforços daqueles que nos amam e a quem amamos, cedo ou tarde encontramos motivos para nos queixarmos de algo. Não que sejam injustas as nossas queixas, na grande maioria das vezes temos bons motivos para expressar algo que nos incomoda, contudo, quantas vezes ponderamos como o nosso companheiro se sente?

E quando finalmente nos damos conta, é tarde demais e já não há mais como reparar os estragos… Nos momentos de raiva deixamos escapar verdades que talvez pudessem ser ditas de outra maneira. Quando nos sentimos feridas, tomamos atividades que nem sempre podemos prever a dimensão do impacto no coração dos homens e assim, por causa dos nossos caprichos, matamos e morremos um pouco por amor.

Ninguém é obrigado a concordar com o que eu digo aqui, mas por observar, ouvir e dar as minhas próprias cabeçadas, é fácil perceber que homens e mulheres, AMBOS, são igualmente responsáveis por tantos relacionamentos mal sucedidos. Enquanto as duas partes olharem somente para si, não haverá chance para que amores duradouros vinguem e cresçam fortes.

Cavalheiros, não tomem este texto para justificar falta de atenção, cuidado e carinho, e indiferença para com as mulheres. Lembrem-se que o personagem sentiu-se injustiçado justamente por não medir esforços pela sua amada, por quem sempre fazia questão de demonstrar sua admiração e afeto devotos. Mas cuidado também para não penderem para o outro extremo: a bajula excessiva. Qualquer dos extremos farão com que se espetem nos espinhos das rosas.

Minhas queridas rosas… Tentemos não usar nossos espinhos contra aqueles que nos amam! Não podemos nos livrar dos espinhos, pois são a nossa única arma de defesa, mas não precisamos afiá-los contra quem cuida de nós com carinho. 

Se bem que… só se fere no espinho da rosa quem não tem cuidado ao se aproximar. 

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