Irrevogável

“Só há amor quando a escolha é irrevogável” – Antoine de Saint-Exupèry

Eu sempre soube que esta frase teria um impacto muito profundo na minha vida, e  finalmente chegou o momento de colocá-la em prática. Em tempos de amores fluídos, de poliamores e incontáveis opções de relacionamentos, fazer uma escolha e mantê-la é quase um ato heróico.

Tudo bem que, em se tratando de relacionamentos a dois, a escolha precisa ser, impreterivelmente, mútua. Caso contrário, sua irrevogabilidade torna-se nula. É preciso que duas pessoas que, teoricamente, se gostam, escolham permanecerem juntas, independente das diferenças, das intempéries emocionais de ambos, das dificuldades e de todos os conflitos que possam surgir.

Em uma era onde qualquer coisa se autodenomina amor, fica cada vez mais difícil identificar o amor verdadeiro. Eu diria até quase que impossível, porque cada pessoa que passa pela nossa vida nos faz experimentar uma sensação diferente, desperta em nós diferentes nuances de sentimentos e emoções. Conseguir identificar qual delas é verdadeira, qual delas será duradoura é uma tarefa hercúlea!

E é aqui que entra a irrevogabilidade…

Irrevogabilidade é um traço de imutabilidade, é não voltar atrás uma vez que se toma uma decisão. E eu sempre percebi o amor como uma decisão.

Em uma sociedade onde se pode encontrar alguém por meio de um click, estar de fato com alguém é uma raridade. Centenas de relacionamentos superficiais, pessoas que entram nas nossas vidas apenas de passagem… nada que perdure…

Inconstância…

A vida é feita de incertezas, isso é um fato, o que é agora pode deixar de ser daqui a cinco minutos, mas isso não quer dizer que os relacionamentos devam ser assim também… Ou, pelo menos, eu acho que não deveriam…

Estar com alguém implica em envolver-se profundamente no universo da pessoa. É desejar conhecer cada cantinho de sua alma, é desenvolver uma cumplicidade tão profunda que se possa compreender o outro pelo olhar. Amar é desejar cultivar um relacionamento e é preciso renovar essa vontade dia após dia. Amar é escolher diariamente permanecer com a mesma pessoa, e crescer junto com ela. E e o amor só será genuíno no momento em que, uma vez tomada esta decisão, não se possa voltar atrás.

Em  uma era com milhares de opções, fazer uma escolha pode se tornar uma tortura mental. Mas, uma vez feita, de coração aberto e alma limpa, ainda que as outras opções pareçam mais interessantes, quando há amor, a decisão tomada torna-se a melhor, ainda que seja imperfeita. Até porque, o amor só é irrevogável quando é manifesto incondicionalmente.

 

INCONDICIONALMENTE!

 

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