Onde Começa a Mudança

Eu não sei vocês, mas me espanta, mesmo que eu esteja consciente que não deveria, mas ainda assim me espanta, a hipocrisia que permeia todas as instâncias da humanidade, do universo dos relacionamentos entre homens e mulheres, às lideranças governamentais (no caso, estas já não são novidade alguma).

Na micro realidade, essa que vivenciamos quase que automaticamente em nosso cotidiano, vemos homens e mulheres ansiando por relacionamentos duradouros sem, no entanto, estarem dispostos a empregarem os esforços, tempo e dedicação necessários para fazer com que um relacionamento dê certo. Querem somente “a parte boa”, sem cobranças. Se esquecem que todo relacionamento, seja ele de que nível for – familiares, amizade, trabalho, amorosos -, tem suas demandas, suas cobranças naturais, requerem um compromisso. Não adianta querer “a parte boa” de um relacionamento se não estiver disposto a encarar os momentos ruins, os conflitos, que deveriam servir como ferramenta de crescimento e fortalecimento das relações… Mas acontece que, para que o conflito seja mesmo uma ferramenta de crescimento, é preciso olhar, antes de tudo para dentro de si, estar bem ciente de seus pontos fortes e fracos e estar disposto a dar tudo de si para corrigir os pontos negativos, ou talvez, munir-se deles mesmos de maneira positiva, afinal, nossos defeitos podem não ser, necessariamente, uma coisa ruim. São parte da estrutura que nos torna quem somos, e justamente por ser parte de todo um conjunto de virtudes e falhas que fazem de nós únicos. Todas as coisas são como são para um bom propósito, mesmo que a compreensão deste propósito ainda não nos seja precisamente clara.

Quem tiver paciência para ler isto aqui deve estar se perguntando o que uma coisa tem a ver com a outra? O que as relações que ocorrem sob um mesmo teto têm a ver com a realidade política? Muito, meus senhores. MUITO! Porque é tudo uma cadeia. A atitude individual vai atingir a pessoa imediatamente próxima a nós, cujas atitudes vão se expandir para as demais pessoas que nos cercam e assim por diante. Como as moléculas na física quântica.

Não adianta reclamar do governo, quando entre nós mesmos não temos atitudes éticas. Não adianta promover um discurso de inclusão e integração, quando as ações buscam um resultado diferente de uma inclusão e integração real entre PESSOAS. E com isso chegamos às correntes políticas e ideológicas que regem as ações globais nos últimos anos. Fala-se muito em unir, dialogar, integrar, valorizar culturas, e o que temos na realidade? Divisões, discussões inúteis, porque os que seguem a filosofia vigente se recusam a ouvir e ponderar um argumento diferente daquele que lhes é incutido na mente. Reclamam do capitalismo e do dinheiro, mas quando propomos valorizar o “capital humano”, para realizarmos nossos projetos, investindo nas pessoas e nas suas habilidades, imediatamente nos vemos claramente ignorados e sutilmente amordaçados, a menos que se seja corajoso e bravo o suficiente para ainda assim erguer a voz e tentar fazer-se ouvir. Culpa do chamado “elitismo”? Talvez, mas quem é a atual “elite”? Esse ser que se esconde na obscuridade do inconsciente coletivo, que manipula e implanta ideias sem que as pessoas se deem conta de que “suas” convicções podem não ser realmente suas. E curiosamente, utilizam este mesmo argumento contra aqueles que ousam nadar contra a corrente, e tentam pensar por si mesmos.

Criamos conflitos desnecessários, quando nossas opiniões divergentes deveriam servir como caminhos feitos de pontos de vistas distintos para a construção de um bem maior. Até porque, nossa visão humana da realidade é bastante limitada, às vezes o outro pode envergar algo que não conseguimos ver ainda, e muitas vezes, podemos inclusive estar dizendo exatamente a mesma coisa, apenas de maneiras diferentes. E novamente passamos pela micro realidade. Queremos só a parte boa, sem estarmos dispostos a investir a energia necessária para vencer as partes ruins e alcançar o objetivo final.

Exigimos uma mudança externa, quando ela, na verdade vem de dentro. Cansam de dizer isso, mas nunca põem em prática, o que realmente acende a minha revolta! Não digo que seremos perfeitos aqui. Até porque, a perspectiva não parece ser das melhores para os próximos anos, mas meus olhos estão fixos no que vem além dos próximos anos.

Ainda assim está difícil encontrar o link entre um assunto e outro?

Simples, meus caros: PESSOAS.

Quando investimos nas pessoas, a começar em nós, teremos a realidade que tanto almejamos alcançar. Mas para que isso realmente aconteça, precisamos entender que nossos interesses só serão satisfeitos a partir do momento em que compreendermos que o bem do outro é o nosso bem, porque quando nossos companheiros de jornada estão felizes, eles não só terão mais energia, vigor e vontade de realizar mais coisas, bem como também nos ajudarão quando nós fraquejarmos.

Quando vomitarmos o egoísmo e a hipocrisia de dentro de nós, seremos capazes de promover a mudança que tanto almejamos ver no mundo.

PESSOAS, meus amigos… PESSOAS! Elas são o segredo para a transformação das realidades, tanto a micro quanto a macro. Pois é dentro de cada um que se escondem as virtudes e as ferramentas necessárias para que a mudança aconteça. Só precisamos enxergar o que temos diante de nós:

PESSOAS.

 

racismo-na-infancia

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