E se eu perecer, pereci.

Tá! Eu sei que é um título meio mórbido, mas vem bem a calhar para tempos tão mórbidos. É eu sei que soa meio pessimista, mas não adianta tentar enxergar a realidade com um par de lentes cor-de-rosa porque ela não vai ficar mais colorida só porque você quer vê-la assim.

A frase do título foi proferida pela mulher que mais admiro em todos os tempos: Hadassa. Ou, se preferir, a Rainha Ester.

Vou tentar resumir a história para quem não conhece tentar entender um pouco. Ela foi uma mulher judia que participou acho que do primeiro concurso de beleza da História da humanidade. É SÉRIO! Em um tempo onde as mulheres eram exibidas como troféus, o imperador da Media e da Pérsia, solicitou que sua rainha se apresentasse aos seus convidados em um banquete. Vasti, que não era boba nem nada, decidiu preservar-se, mas isso não foi muito bem recebido pela sociedade machista da época (é, nesse ponto eu tenho que concordar com as feministas que foi um tremendo machismo Vasti ser punida por querer se preservar). Como castigo, deixou de ser rainha. E lógico, como os homens nunca conseguem ficar sozinhos, Assuero, ou Xerxes, logo tratou de procurar por uma nova rainha, e promoveu um enorme concurso de beleza para escolher a mulher mais bela de todo o reino. E calhou de ser uma judia.

Por que decidi escrever sobre isso? Eu estava apenas refletindo sobre os fatos da era contemporânea…

Ora, esse mundo já viu guerras incontáveis, e agora já tem mais uma explodindo por aí. Todas as nações se voltam contra judeus e cristãos, e contra qualquer pessoa que ainda tenha o mínimo de bom senso, simplesmente porque estamos despertos o bastante para perceber que há algo muito errado acontecendo por aí e que o cenário não é tão colorido assim como tentam nos pintar. Pelo contrário, é ainda mais cinzento… quase negro.

O que essa menina judia que virou rainha tem a ver com isso? Bom, ela teve um papel fundamental na História de seu povo, assim como cada um de nós temos um papel fundamental na História de toda a humanidade. Mas assim como existia uma sentença para quem ousasse se apresentar ao rei sem ser convidado naquela época, a mesma sentença existe hoje para quem ousa contrariar o sistema. A mesma sentença existe para quem decide optar por uma estrada diferente. A mesma sentença ainda existe para quem ousa manter-se íntegro. A sentença de morte.

Meio pesado isso, né?

Mas é verdade.

Mesmo que não seja morte física, como era na antiguidade, hoje temos inúmeros tipos de morte, às vezes até piores do que a morte física, que pelo andar da carruagem, já anda me parecendo até uma amiga para aqueles que sabem o que está por vir. Não, eu não quero morrer, antes que alguém pense asneira! Não é isso… Mas aqueles que partem, os que partem em paz, é importante ressaltar, mesmo que tenham sido martirizados, partem em paz, pois sabem que o seu galardão os espera, são mais felizes do que os que ficam…

Por que essa frase? Se eu perecer, pereci.

Estamos vivendo tempos em que, se queremos que algo bom aconteça, nós mesmos precisamos arregaçar as nossas mangas e fazê-lo. As leis que estão sendo implantadas não são e jamais serão feitas a favor do povo, ou de quem quer que seja, além daqueles que, com sede de sangue, desejam governar sobre a Terra. E mesmo assim, a sentença para quem intenta fazer o bem, é a morte. Perto dessa morte, a morte física é irrisória. Acho que a pior morte é a de nos isolarmos uns dos outros, é a morte da nossa Essência. A morte de quem NASCEMOS PARA SER. Todos nós nascemos para sermos imortais, mas somente alguns poucos conseguem enxergar o Caminho a ser seguido para alcançar a Vida Eterna. E os que aceitam esses óculos de lentes cor-de-rosa, se riem dos que optaram por enxergar a realidade como ela é.

Quando se morre na Essência, morre-se em todo o resto.

Por causa da inveja do primeiro-ministro, e da revolta por não ter o seu Ego inflado por um judeu, todo o povo judeu na época de Ester foi condenado à morte. TODO O POVO. Assim como foi condenado à morte no Holocausto da Segunda Guerra e assim como está sendo condenado HOJE por uma mídia vendida e manipulada. E quem se posiciona a favor do povo judeu, ou a favor de qualquer conceito rotulado de “conservador” pela mídia e pelos formadores de opinião, também é sentenciado à morte. À morte social. É colocado à margem, é deixado de lado, é escarnecido, zombado… Sofre processos… Não interessa se intentava fazer o bem. Seu modo de pensar é suficiente para condená-lo à morte social. Por que se recusa a alimentar o Ego da humanidade. E se pensam que pára por aí, enganam-se. Para manter-se íntegro, será preciso ter a coragem de uma rainha (na verdade esse post é muito mais pra mim do que pra quem quer que leia isso…)

É preciso coragem.

Coragem para não acomodar-se no esplendor do palácio da zona de conforto. Coragem para encarar os preconceitos por ser fiel a si mesmo e ao que escolheu acreditar. Coragem para não se deixar abater com as consequências momentáneas de sua escolha, porque tudo o que existe aqui é momentâneo. Passa como um sopro. Coragem para entrar na presença do rei, ou dos reis e rainhas que nos cercam, as pessoas com quem lidamos no nosso dia a dia, e convidá-los ao Banquete da Vida. Convidá-los ao Banquete que abrirá os seus olhos para o que acontece bem debaixo dos seus narizes e que não conseguem enxergar porque ainda estão com esses óculos que lhes turvam a visão e lhes distorcem os fatos. Coragem para apresentar-se a eles, mesmo sabendo que a sentença é a morte social, e mesmo assim dizer:

Se perecer, pereci.

Eu até poderia terminar o texto aqui, mas não é assim que a história termina! Não! A bela rainha acha graça aos olhos do rei e consegue (SIM! ELA CONSEGUE!), convidar a ele e ao primeiro-ministro invejoso para um banquete em seu palácio, onde lá, ela revela ao rei que o traíra do primeiro ministro tinha forjado uma lei para matá-la e com ela todo o seu povo. Ah mas que cena gloriosa deve ter sido o primeiro-ministro implorando o perdão da rainha e o rei, ao dar de cara com aquela cena humilhante (para o primeiro-ministro, claro) interpretá-la como se ele estivesse tentando se aproveitar dela! Ai como eu queria ser uma borboletinha para farfalhar minhas asas naquele jardim e ver de perto a cara de espanto daquele homem ao ser condenado a morrer na mesma forca que tinha preparado para o tio de Ester. Não fico feliz que ele tenha sido condenado à morte, mesmo que tenha feito por merecer, eu preferiria que tivesse se arrependido, mas como eu disse, a realidade não é como gostaríamos de enxergá-la. Mas eu fico feliz que houve a chance de defesa.

Muitas pessoas morreram por causa daquela lei, de ambos os lados, mas a chance de defesa sempre traz a esperança do arrependimento. A chance de defesa, sempre traz a esperança da reconciliação, e por esse motivo:

Ainda que eu pereça, VIVEREI.

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