REFLEXÃO E TESTEMUNHO

Que Evangelho Vivemos?

 

João 15: 13-17.

 

Neste evangelho o foco principal é a razão pela qual Jesus entregou-se a Si mesmo em favor de todos nós: o Amor. Ele nos mostrou que é possível cumprir esta tarefa. Mas a maior questão é que, para nós, mesmo Cristo nos dando o exemplo maior de que é possível viver em Amor, o cumprimento deste mandamento é algo muito difícil. Se atentarmos ao modo de vida que Jesus levava e ao tipo de pessoas que o cercava, veremos que estamos muito longe de sermos achados servos fiéis…

 

Jesus era um revolucionário. Ele não andava com as pessoas importantes da Sinagoga, não freqüentava a casa dos príncipes, nem das famílias de bem, como diríamos hoje. Não! Por incrível que pareça, as companhias de Jesus eram pessoas enfermas, com todos os tipos de doenças possíveis e imagináveis! Não apenas doenças do corpo, mas doenças da alma! Pessoas sem uma gota de dignidade ou comportamento exemplar, pessoas rotuladas como pecadoras. Prostitutas, miseráveis famintos, funcionários públicos corruptos e ladrões. Porém o que chama mais a atenção para o caráter do Mestre é: ele andava com essas pessoas, mas não foi uma delas! Ele mostrou que não é impossível conviver com pessoas consideradas más companhias e fazer diferença.

 

Vivemos em um mundo onde a inversão de valores torna a vida caótica e ser cristão se resumiu a ir à igreja e participar de todas as atividades dela. Se Cristo viesse em carne entre nós nos dias de hoje, certamente não O veríamos andar com seminaristas, ou pastores, ou diáconos, ou obreiros, ou pessoas influentes dentro de uma igreja. Se quiséssemos encontrar o Mestre nos dias de hoje, o lugar mais certo para encontrá-Lo seria nos hospitais, nas esquinas onde pessoas carentes de amor e de atenção vendem seus corpos, suas vidas para se alimentarem, para tentarem suprir suas carências, certamente O encontraríamos às portas das boates dizendo aos que dali saem: Segue-Me. Se quiséssemos encontrar o Nosso Salvador nos dias de hoje, seria mais fácil vê-Lo conversando com um homossexual que acaba de entrar no templo, ao passo que nós, quase sempre agimos do contrário. Ao vermos uma pessoa com um comportamento fora dos “padrões normais” como julgamos que sejam as nossas regras, podemos até ser polidos e educados, mas depois nos afastamos, tomamos uma atitude de não nos contaminar. Mas se o nosso evangelho é o mesmo pelo qual Jesus deu sua vida na cruz, poderemos agir da mesma maneira que Ele sem nos contaminar, podemos ser instrumentos de Deus para transformação de vidas.

 

Nossa missão não é julgar as pessoas que vêm até nós, muito menos esperar que os pecadores morram de sede da Palavra de Deus. Precisamos ir até onde estão essas pessoas. Precisamos viver em Amor, não podemos discriminar nosso semelhante porque a interpretação da Bíblia dele é diferente da nossa. Precisamos olhar para o nosso coração e enxergar que nós não somos nada, que tudo o que temos ou somos é porque a Infinita Graça de Deus nos alcançou um dia. Se somos chamados de amigos por Ele, é porque somos muito mais do que servos. Somos Irmãos. Mas para sermos amigos de Cristo, precisamos ser capazes de doar nosso tempo, nossa atenção, nossos ouvidos, para as pessoas que mesmo que não digam, que se achem auto-suficientes, precisam de ajuda, precisam de um cumprimento que seja. Mas nem mesmo no seio de nossas igrejas somos capazes de fazer isso. E não falo de outra pessoa, senão de mim mesma! Pois é a começar em mim que o Evangelho se cumpre!

 

Jesus não apedrejou a mulher adúltera. Ela poderia ter saído dali e cometido o mesmo erro, mas sem dúvida a atitude surpreendente do Senhor provocou um choque tão grande na vida dela que ela não teve alternativa senão mudar de atitude. Assim deve ser nossa maneira de agir. A parte mais profunda e tocante desta passagem diz: Ninguém tem maior amor que este: de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Os amigos de Jesus O traíram, O negaram, fugiram, abandonando-O no momento em que Ele mais precisava. E mesmo assim Ele deu a Sua vida! Com toda certeza nenhum de nós tem coragem de dar sua vida por quem quer que seja, corajosos são aqueles que em meio a torturas não negaram a Fé! E eu me pergunto: Será que eu faria a mesma coisa? E procuro responder da maneira mais sincera que consigo: acredito que não. E por esta razão busco refletir sobre qual é o Evangelho que tenho pregado? Mais do que pregar: Que Evangelho eu tenho vivido? Não é dizer às pessoas que não conhecem a Deus que se elas não receberem a Cristo vão para o Inferno. Isso não é pregar o Evangelho!!! Porque Evangelho quer dizer boas novas! Boas notícias!!! E isso é tudo o que as pessoas mais precisam hoje! O ser humano está cansado de olhar ao seu redor e ver em todos os lugares a mesma mesquinhez e indiferença. E infelizmente dentro das nossas igrejas isso é uma realidade muito palpável. Nossa atitude precisa ser diferente… Precisamos ser mais atenciosos, precisamos ouvir mais, ser mais tolerantes e pacientes. Se Jesus conseguiu, é porque não é impossível. Precisamos dizer e mostrar às pessoas que nos cercam que ser crente, ser cristão, não é servir a um Deus vaidoso que quer ser adorado, não é simplesmente aceitar Jesus para ir para o Céu. Ser cristão é experimentar um Amor tão profundo e sincero que por onde quer que passe, faz diferença na vida das pessoas ao redor.

 

Que o Senhor faça nossos corações transbordarem de Amor Ágape. Amor legítimo, que transforme o nosso semblante e que cada pessoa que olhar para nós possa sentir a diferença que é viver com Cristo. Que possamos vencer os comentários dos nossos amigos e familiares e agir, ir ao encontro das pessoas que precisam sentir que existe Alguém que as ama e que deu a Sua vida e Seu Sangue por elas. Que elas possam sentir Esse Amor fluindo em nosso sangue e em nossas vidas. Que busquemos não pregar, mas viver o Evangelho de Cristo em nossas tarefas diárias e nosso cotidiano, que nossas atitudes, por mais simples que sejam reflitam a Luz de Cristo em nosso viver.

 

Clara Maria Cristina Borges

Niterói, 07 de Novembro de 2006

 

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1 Comment

  1. Texto maravilhoso! E vocë ainda quer tirar férias…
    beijinhos,
    Ana Paula

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